Arquivo do Autor: José Rodolpho Assenço

Porto de Pedras

(por: José Rodolpho Assenço)

                         Porto de Pedras é um belo município de pouco mais de dez mil habitantes situado no litoral norte de Alagoas, que guarda consigo uma historia farta e grande beleza natural.

                        Saímos bem cedo para atravessar de Japaratinga a Porto de Pedras o canal do lagamar de Rateia, do qual, utiliza-se de balsas para tal finalidade.  Buscamos esse horário ciente de que o serviço de balsa não seguia constante, e que costuma acontecer uma grande fila de veículos a esperar mais de uma hora para a travessia.

balsa

                        E assim aconteceu, logo do lado de Japaratinga no porto de balsas já estava formada a fila e permanecemos por quase uma hora para conseguir embarcar, porem toda a região é muito bonita e aproveitei desse momento para tirar algumas fotos tanto do lagamar como da cidade de Porto de Pedras.

lagamar_de_rateia entardecer_no_lagamar

                        Assim que desembarcamos seguimos nosso passeio rumo ao sul como havia planejado, porem almejava voltar ainda de tarde para almoçar e desfrutar de uma ultima praia nessa bela cidade.  Aproveitamos para tirar algumas fotos na passagem, da Igreja de São Gonçalo e da cidade que com suas ruas estreitas e diversos casarões criam um cenário peculiar.

igreja_de_são_gonçalo porto_de_pedras

                        A historia da cidade inicia com uma missão Franciscana chamada Alagoas Boreal que se destinou a catequese dos índios Potiguares.   Posteriormente esse povoado que defendia a entrada do rio para Porto Calvo foi atacada e invadida pelas forças neerlandesas com o apoio de Calabar em 1633.  

                     Pequena fortificação luso-portuguesa foi construída no local porem, houve ainda diversos conflitos, e enfrentamentos contra os invasores.

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                        No retorno de nossa incursão ao sul paramos novamente em Porto de Pedras para almoçar no restaurante Peixarão , nome engraçado e sugestivo desse agradável restaurante as margens da praia de Porto de Pedra.  Destaque para os frutos do mar e a comida caseira nordestina.

peixarão casarão_em_porto_de_pedras

                        Alem da praia urbana, importante citar a Praia de Patacho e do povoado de Tatuamunha já registrada nesse site.

praia

                        Para sair, no retorno à Japaratinga a fila de veículos na balsa estava insuportável e decidimos voltar por uma estrada que sai em Porto Calvo sendo, que desta, passamos por uns seis quilômetros de terra ate o centro da cidade, prosseguindo depois pelo asfalto até nosso destino.

TRAÍRAS, um lugar esquecido

(por: Cleber Medeiros e José Rodolpho Assenço)

                       Pesquisando sobre a história de Goiás e procurando traçar um novo roteiro para viajar, nos deparamos com Traíras, ou Arraial de Thraíras, próximo a Niquelândia – município no norte de Goiás.

                         Para esta viagem formamos um pequeno grupo constituído por mim, minha namorada Ana Paula, o professor e fotógrafo Cleber Medeiros e sua namorada Jaque Araújo.

                         Embora tivesse lido e ouvido histórias do sertão nunca havia me deparado com tal nome, assim sendo, não sabia da existência deste lugar.  Imediatamente busquei Mapas na internet que localizassem ou ainda tivessem imagens dessa vila e descobri que a mesma ficava apenas a doze quilômetros de Niquelândia.

                        Rumamos pela Internet para o norte de Goiás, chegando a Niquelândia. Não demoramos muito a encontrar o Arraial perdido bem próximo a rodovia, com suas casas e casarões que pelo que vimos no mapa pareciam estar em ruínas. Concluímos imediatamente que necessitávamos montar uma rápida excursão em busca de tal achado.

                        A historia de Traíras está intimamente ligada ao início da colonização de Goiás e representa definitivamente a total falta de cuidado de nossas autoridades – bem como da população – na preservação de seu patrimônio.

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                        A Colonização de Goiás teve início após as Bandeiras de Bartolomeu Bueno da Silva (Filho) – o Anhanguera – que, localizando ouro as margens do Rio Vermelho, proporcionando as primeiras povoações em 1726.

                        Após isso também foram localizadas lavras em Pirenópolis, então Meia Ponte, porém logo no início de sua extração, estas já apresentavam sinais de limites e que logo iriam se exaurir. Manoel Rodrigues Tomar, que fundou o Arraial de Meia Ponte, prosseguiu sua andança rumo ao norte em busca de novas lavras, o que aconteceu em 1735, resultando na fundação de Traíras, às margens do rio de mesmo nome, em referência a uma espécie de peixe.

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                        Traíras rapidamente cresceu, e se transformou em um dos mais prósperos arraiais da província, atingindo o auge da produção de ouro em 1755, data em que foi elevada à condição de distrito da província.   Já em 1779, Traíras era um importante ponto econômico e o segundo maior povoamento da província, ficando atrás apenas de Vila Boa. A essa época com uma população de aproximadamente dez mil habitantes, já contava com diversas casas, Igrejas, comércios e 23 engenhos em sua região.

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                        Até por volta de 1800, mais de quinze mil garimpeiros circulavam pelo arraial, porém a era do ouro em Goiás durou pouco tempo e, assim como as demais lavras da região de Vila Boa, as minas de Traíras seguiram o mesmo caminho com o declínio da produção.  Em 1824, o Marechal Cunha Matos descreveu uma forte decadência na região.

                        O Arraial teve ainda seu momento de grande importância na época em que foi sede do Império, quando da visita de Dom Pedro II em 1835 – por dois dias apenas – oportunidade em que teria recebido de presente um cacho de banana feito em ouro de um garimpeiro.

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                        Atualmente restam poucas casas desse período e diversas ruínas, entre elas, resquícios de suas três igrejas; a primeira, a Igreja do Senhor do Bom Jesus, que hoje é um cemitério, também já abandonado e a Igreja do Rosário – ao centro – onde existem apenas algumas paredes de pedra.  Havia ainda no centro do Arraial, um grande presídio, que foi queimado com os presos dentro por volta de 1910, restando como ruína, um único pilar.

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                        Das edificações restantes, temos o antigo Cartório, a casa onde hospedou Dom Pedro II, a casa de Brasil Rogado e a casa de Romero João  Pereira, que apesar de estar parcialmente em ruína, insiste em ficar de pé. 

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                        As Igrejas de Traíras, que já ruíram, foram tombadas pelo IPHAN em 1955. Há registro de que, em 1966, foi a data em que ruiu a igreja do Rosário.

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                        Moram aproximadamente 200 pessoas no local e este passou a ser chamado de Tupiraçaba, no mesmo momento em que houve a mudança do nome de São José do Tocantins para Niquelândia, estando esta distante a apenas 12 quilômetros.

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                     Traíras, que foi a segunda maior e mais importante vila da Capitania, no tocante à economia, continua esquecida, e a história do Brasil Colônia vai se derretendo nas suas construções em adobe de pilão, pelo descaso.

                     Voltando ao tempo presente, passamos a caminhar pela cidade e conversar com os moradores, colhendo informações.            

                     Não poderíamos deixar de citar o Sr. Francisco João Pereira – bisneto de um bandeirante – que nos contou historias sobre a região, mostrou-nos alguns artefatos históricos que guarda com carinho, como a bateia que sua avó usava e alguns grampos onde se prendiam correntes da cadeia incendiada.

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                        Terminamos nossa visita ao Arraial, deveras satisfeitos, pois conseguimos registrar e conhecer um pedaço de nossa historia, que poucos terão oportunidade e curiosidade de visitar, mas que vale cada quilômetro percorrido.