IGAÇABA e a estação do Vale do Bom Jesus

(por: José Rodolpho Assenço)

                        Igaçaba de origem Tupi-guarani, significa local ou urna de barro com as quais os indígenas enterravam seus mortos.  Hoje distrito de Pedregulho ao norte do estado de São Paulo esta mergulhada no esquecimento e segue contando os dias em que as autoridades venham a recuperar sua estação e a ferrovia Mogiana.

igreja de igaçaba

igreja de igaçaba

                        Inaugurada em 1888 quando da chegada do trem ao Rio Grande, divisa com Minas Gerais.  O local marca exatamente inicio de descida para o vale do rio, nesta linha os trens desciam carregados de café.

                        A estação foi extinta em 1970 e iniciou o esquecimento da bela região, sendo que em 1991 foi novamente recuperada, com reparo nos trilhos e transformou-se em uma linha turística “Estrada de Ferro Vale do Bom Jesus”, porem, em 1994 a estrada novamente foi abandonada pelo desmoronamento de um trecho e não mais reparada.

                        Hoje a estrada permanece escondida em meio à vegetação e sua estação abandonada.

estrada de ferro em igaçaba

estrada de ferro em igaçaba

                        Igaçaba também é conhecida por ser a terra natal do ex- governador Orestes Quércia e sua família.

                        No começo desse ano, juntamente com meu filho, Humberto Neiva e família, quando de nossa estada em Rifaina e na Serra da Canastra, decidimos dar um pulo a pequena Igaçaba para conhecer a região que esta próxima a um grande parque estadual.

                        Logo que saímos de nossa base seguimos por uma estrada onde rapidamente iniciou um grande aclive, uma grande serra de onde se podia avistar o Rio Grande e seus lagos, sempre seguidos de inúmeras plantações de café. Não muito distante da encosta da serra, chegamos a estreita estrada asfaltada que leva até o distrito de Igaçaba.

                        Em Igaçaba buscamos a praça onde estacionamos e iniciamos uma longa caminhada pela sede do distrito.

praça de igaçaba

praça de igaçaba

                        Na praça busquei fotografar a Igreja um pequeno coreto, em uma praça com um grande jardim, local onde, diversas crianças brincavam em meio ao gramado e calçadões.

                        Rapidamente fizemos contato com um desses jovens que de pronto tornou-se nosso guia no pequeno distrito e  na companhia dele iniciamos nossa caminhada por diversas ruas e casarões.

rua em igaçaba

rua em igaçaba

                        Seguimos por outra rua onde encontramos diversos casarios que datam do inicio do século passado, onde imaginamos ser uma das principais do povoamento.

casaroes de igaçaba

casaroes de igaçaba

                        Depois de inúmeras fotos, acompanhados de nosso guia mirim seguimos por uma das ruas que descia para a estação.

                        A estação consiste de uma pequena praça ao final do declive sem estacionamento com entrada toda em pedra e o prédio da estação construído no final do século XIX.

estação ferroviária igaçaba

estação ferroviária igaçaba

                        Após algumas fotos pelo lado da praça seguimos pela lateral onde uma caixa d’agua construída na Inglaterra demonstrava a existência ou a passagem no local de locomotivas a vapor a “maria fumaça” , e, a sua frente duas linhas de trilho uma indo e a outro no sentido oposto.

caixa d'agua do trem a vapor

caixa d’agua do trem a vapor

                        Assim que atingimos a plataforma de embarque que hoje se encontra abandonada, com seus bancos, placas e portões a única presença no local era um casal de namorados dos quais evitamos incomodar.

estação de igaçaba

estação de igaçaba

                        Realizamos diversas fotos da plataforma de embarque sendo que,  a parte interna da estação encontrava-se fechada, algumas fotos também dos trilhos que ao final levam a estrada ao matagal.

                        Em uma foto  da plataforma consegui ainda capturar a imagem do casal sentado em um dos bancos ao fundo.

plataforma de embarque igaçaba

plataforma de embarque igaçaba

                        Por fim tirei uma foto no ângulo que foi possivel da placa da localidade na estação já corroída pelo tempo.

igaçaba

igaçaba

                        Na saída da estação os jovens namorados informaram-nos de um projeto de revitalização para a velha estação o qual já estava aprovado para ser executado.

                        Retornamos a praça ao centro em uma subida bastante cansativa e assim nos despedimos de Igaçaba e de nosso pequeno guia.

            Finalizando nossa viagem seguimos para a cidade de Pedregulho sede do município.

RIFAINA – Uma bela surpresa as margens do Rio Grande

(por: José Rodolpho Assenço)

                        Rifaina, cidade paulista na divisa com Minas Gerais, surgiu em minhas pesquisas sobre a história do interior de forma inusitada.

                        No inicio do ano, buscava uma forma de conhecer as cidades históricas de Sacramento, o Arraial de Desemboque, a Serra da Canastra e o Sertão da Farinha Podre. Pesquisando em inúmeros mapas comecei a buscar uma cidade que estivesse próxima a região, onde poderia ser nossa base para as diversas visitas, de preferência um local aprazível, que pudéssemos levar a família.

                        E assim aconteceu, logo avistei nos mapas, e próximo de onde pretendíamos visitar, as margens do Rio Grande,e , em especial na Represa de Jaguara, a pequena Rifaina. Pelas imagens de satélites pude observar que havia praia e ancoradouros, alem de algumas pousadas e restaurantes.

                        Imediatamente comecei a avisar nosso grupo de aventura e foto qual seria nosso imediato destino.

rifaina

rifaina

                        Essa região já era conhecida pelos bandeirantes em especial por suas descidas no Rio Grande rumo ao sertão, região habitada unicamente pelos índios que a dominava.

                        Séculos depois com a construção da ponte férrea que ligava Franca a Desemboque veio à efetiva ocupação da região, com a doação das terras para a Diocese de São Paulo, o que resultou no Arraial de Santo Antonio do Cervo em 1862.

                        O pequeno arraial floresceu, e, em 1873 foi elevado à freguesia com o nome de Santo Antonio de Rifaina, em 1877 foi erguida a estação da Estrada de Ferro Mogiana.

                        Em 1960, iniciaram-se as obras de construção da represa de Jaguara, criando por conseguinte a represa e a praia de Rifaina.  Jaguara com o grande volume de água que desce pelo Rio Grande, consegue manter seu nível praticamente estável por todo o ano e que facilita tanto a difusão de esportes náuticos bem como a existência da praia.

rifaina

rifaina

                        Hoje Rifaina é procurada por quem gosta de realizar mergulhos e fotografias subaquáticas devido à limpidez de suas águas, alem de inúmeras cachoeiras e trilhas em sua região.

                        Voltando a nossa viagem, seguimos para Rifaina próximo ao meio dia, nos acompanhava nessa empreita o fotografo Cleber Medeiros e família, partindo de Brasília, e, Humberto Neiva e família que seguia de Paracatu por outra estrada.

                        Seguimos até a divisa de Minas com São Paulo, onde buscamos a entrada de Igarapava e depois margeando o Rio Grande até chegar a Rifaina.

                        Na cidade havíamos reservado vagas para todos na Pousada Vila Harmonia, onde fomos imensamente bem recebidos pelos proprietários Diego e Sayonara.

anfiteatro em rifaina

anfiteatro em rifaina

                        Assim que chegamos Humberto já nos aguardava na pousada, onde conversamos com nossos anfitriões proprietários, sobre a região a bela cidade e também, degustamos da cerveja artesanal produzida pelo Diego na região.

                        Para Humberto também foi uma surpresa conhecer a cidade, muito organizada, limpa e ordeira que em sua analise, parecia uma cidade de boneca, se referindo tanto a beleza como também a sua pequena dimensão.

mansões em rifaina

mansões em rifaina

                        Diego nos apresentou também o guia Ernani Baraldi, um apaixonado pela região, que logo nos informou das possibilidades de passeios e mergulhos na represa para os próximos dias.

passeio de lancha em rifaina

passeio de lancha em rifaina

                        Nos dias seguintes realizamos nossas viagens em busca das cidades históricas, mas sempre voltando a Rifaina para desfrutar de uma orla única no sertão, com diversos deck’s para atracar as embarcações, praias e com um calçadão fantástico com diversos bares e restaurantes a sua frente.

deck em rifaina

deck em rifaina

                        Após a praia existe um anfiteatro bastante interessante construído sobre as águas e intercalado entre o palco e a platéia com um canal.

anfiteatro em rifaina

anfiteatro em rifaina

                        Um dia especial de muito sol escolhemos ficar na praia, desfrutando também do calçadão e dos bares com meu filho e Nayara. 

praia de rifaina

praia de rifaina

Em outro, alugamos uma grande lancha para um passeio com direito a um churrasco no meio do lago onde todos participaram.

praia em rifaina

praia em rifaina

                        Depois de inúmeras saídas para atingir nossos objetivos históricos, finalizamos nossa viagem apaixonados por Rifaina.