Arquivo do Autor: José Rodolpho Assenço

OLHOS D´AGUA

(por: José Rodolpho Assenço)

                        Em uma manhã de sábado, decidi seguir caminho em direção a Olhos D´agua, povoado distante de Brasília não mais que cem quilômetros, famoso pelo seu artesanato e por alguns restaurantes. Fazia doze anos que, pela primeira vez, havia visitado esse local.

igreja_de_olhos_d´agua

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                        Segui nessa empreita na companhia de minha namorada, que não conhecia o local. Cerca de uma hora de viagem, chegamos ao povoado. Seguimos diretamente para a praça central desse lugarejo, que já foi município e que perdeu essa condição para Alexânia, Goiás.

restaurante_em_olhos_d´agua

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                        Conta a história da região que ainda na década de trinta do século passado uma ex-escrava chamada Francisca dos Anjos teria feito uma promessa a Santo Antonio e, caso fosse atendido o seu pedido, ergueria uma capela para ele nessa local, junto a um olho d´agua, que era utilizado pelos viajantes de então. No entanto, um padre da época se entusiasmou com a  história e se antecipou, pedindo aos fazendeiros que ajudassem na construção da Igreja de Santo Antonio, o que se concretizou em 1941.

                        Com a construção da Igreja, seguidas de festas para o referido Santo, formou-se o povoado que passou a se chamar Santo Antonio de Olhos D´agua, devido o início da construção de Brasília, teve seu crescimento acelerado, isso em 1956. Logo em 1958, desmembrou-se de Corumbá de Goiás, tornando-se município, condição essa, porém, que durou pouco tempo, pois, logo em 1961, a sede, por decisão da Câmara, mudou-se para a recém-criada Alexânia, devido ao crescimento acelerado deste novo povoado às margens da BR-60.

                        Olhos D´agua é famosa por suas festividades de Santo Antonio e do Divino, mas especialmente devido a sua tradicional feira de troca, que acontece duas vezes ao ano para divulgar e promover os artesões da localidade.

bandeiras

bandeiras

                        Outro tópico de destaque é a praça central de Olhos D´agua, ou Praça de Santo Antonio, por estar localizada exatamente na linha imaginária do Tratado de Tordesilhas, que dividia os territórios pertencentes a Portugal dos da Espanha. Esse assunto foi tratado pelo historiador Paulo Bertran, especialista em pré-história de Goiás. Aliás, foi prevista a construção de um monumento ao Tratado de Tordesilhas, que será erguido na Praça Santo Antonio com desenhos dos brasões de Portugal e da Espanha.

casa_em_olhos_dagua

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                        Voltando a minha incursão, assim que chegamos à Praça, tiramos algumas fotos e observamos uma simpática charrete que passeava com crianças pelo povoado. Visitamos uma pousada e fotografamos as casas mais antigas, justamente as que estão em volta da referida praça, de calçamento em pedra semelhante à de Pirenópolis.

olhos d´agua

olhos d´agua

                        Fomos recebidos pelo amigo médico Dr.Luis Cláudio, que nos convidou para conhecer e almoçar no Restaurante “ComTradição”, que conta com uma culinária caipira com toques de requintes e um excelente doce de leite e de banana como sobremesa.

comtradição

comtradição

                        O restaurante é amplo e arejado, onde seus proprietários recebem a todos com muita atenção e carinho, e também serve de palco para exposições artísticas de quadros, pinturas e gravuras.

galeria

galeria

exposiçao_no_comtradiçao

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                        Mas um passeio pela agradável vila aconteceu após o almoço, quando visitamos uma loja de artesanato bastante interessante, que fica situada defronte à igreja.

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                        Por fim, vale registrar, que tomamos conhecimento da existência de algumas belas cachoeiras e banhados nas proximidades de Olhos D´agua. Deixamos para visitá-los em outra oportunidade.

As Cachoeiras do Prata e do Ascânio

(por: José Rodolpho Assenço)

                        O Complexo das Cachoeiras do Prata e do Ascânio representam um importante destino de ecoturismo e de turismo de aventura do Noroeste de Minas e localiza-se quase na divisa desse estado com o de Goiás. O acesso para esse local é feito, partindo de Paracatu, por uma estrada que se encontra com a rodovia BR 60 a meio caminho para Catalão.

ascânio

                        Partimos eu, meus filhos e o caro amigo Humberto Neiva com sua família de Paracatu para essa empreitada, passando antes em uma casa de carnes para providenciar a matula (conjunto de alimentos para o dia), pois não tínhamos notícias de infraestrutura no local. Compramos então carnes, farofa, arroz. E levamos ainda talheres e copos.

                        O conjunto de cachoeiras encontra-se a aproximadamente quarenta quilômetros do centro de Paracatu, sendo uns trinta quilômetros em estrada de terra — com grande trânsito — muito mal conservada: costeletas, buracos foram uma constante em nossa viagem. Decidimos seguir numa camionete, a fim de evitar a quebra de algum veículo de passeio.

                        Chegando ao local, decidimos descer inicialmente para a cachoeira do Ascânio. Além de ser a mais famosa, aproveitamos para ali descansar um pouco objetivando fazer o trajeto principal. A descida nesse local é íngreme e perigosa. Segui na frente com a máquina fotográfica e ainda apoiando meus filhos, mas sempre tentando, de alguma forma, dar a maior condição de segurança a todos.

o rio

                        Assim que saímos de uma mata mais densa, descortinou-se a nossa frente a bela cachoeira do Ascânio com seu lago — ou poço — logo abaixo, coisa extremamente convidativa para um mergulho. E assim aconteceu, todos desfrutamos desse inesquecível momento.

cachoeira_do_ascânio topo_da_cachoeira

                        A subida de volta foi bem desgastante também; acompanhei meus filhos novamente em todo trajeto perigoso e, após matar a sede, devido o adiantado da hora, acampamos para almoçar da matula que levamos.

                        À tarde, prosseguimos em novas caminhadas. Chegamos à parte de cima da cachoeira do Ascânio, com sua queda de aproximadamente cinquenta metros. Local perigoso, de onde a altura e as pedras causam uma sensação de medo a todos que andam por aquele beiral. Com rochas de cor avermelhada, há uma composição única com o denso verde da mata.

cachoeira_do_ascânio_vista_de_cima

                        Caminhamos, em seguida, para a Barra do Prata, local onde há muito tempo foi construída uma represa no intuito de produzir uma grande queda de água, a primeira hidroelétrica do Norte de Minas. Saindo da mata, consegue-se ver ainda alguns grandes tubos metálicos por onde a água descia com pressão até a usina.

corredeira_da_barra_do_prata barra_do_prata

                        Todo o local é composto de rochas avermelhadas que em algum momento sugere ser uma escadaria gigante.

rochas_da_região_do_prata

                        Mas abaixo, outra cachoeira do complexo e seus belos remansos. Nessa ocasião, empolgado com a beleza exuberante do local, fiz inúmeras fotografias.

corredeira remanso

                        Com tudo isso registrado, e feliz com o passeio na ótima companhia de Humberto, e de meus filhos, seguimos o caminho de volta pela cansativa estrada de terra rumo a Civilização.