Arquivo do Autor: José Rodolpho Assenço

Lagoa de Santo Antônio

(por: José Rodolpho Assenço)

                        A Lagoa de Santo Antônio é um arraial, que persiste até os dias de hoje, distrito de Paracatu, Minas Gerais a aproximadamente quinze quilômetros no sentido de Unaí, seu acesso é simples, e nenhuma placa registra na rodovia estadual sua existência.

lagoa_de_santo_antonio

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                        Sua origem remonta o ano de 1737, devido ao crescimento das minas anexas ao Morro do Ouro e recebeu a primeira denominação de Arraial de Pituba. 

casa_em_lagoa_de_santo_antonio

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                     A localidade cresceu e floresceu no ciclo do ouro chegando a ter algumas igrejas e mais de cem casas com um milhar de habitantes.  Comenta-se que foi o mais prospero arraial de toda a região chegando a ter em algum intervalo de tempo importância superior a de Paracatu.

casarão

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                        Hoje porém não mais se observa nenhuma importância, nem uma grande população, presumimos que não ultrapasse os mil habitantes, o mesmo quando do ciclo do ouro. 

                        Logo que entramos no arraial procuramos pela Igreja Matriz na extremidade dessa localidade, estacionamos e visitamos o recinto cercado por um muro de alvenaria com uma portaria em madeira que lembra algum cercado de fazenda.

entrada_da_igreja

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                        Nessa área a Igreja fica ao fundo ladeada por um cemitério.

Igreja_e_cemitério

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A pequena igreja provavelmente não seja a que é citada na historia da localidade, devido as suas proporções e simplicidade, seu tipo de construção apresenta características da segunda metade do século XIX.

detalhes_da_igreja_de_santo_antonio

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No cemitério não observei nenhum registro do período colonial ou imperial o que sugere que tenha existido um outro e que provavelmente não mais exista.

cemiterio_de_lagoa_de_santo_antonio

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                        Prosseguimos pela vila em ruas asfaltadas porém com traçados sinuosos e confusos, retratando as vias originais, passamos por alguns casarões e estacionamos em um onde a jovem local informou ser a casa de propriedade do Ex-Prefeito nosso amigo.

casa_em_lagoa_de_santo_antonio

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Informaram-nos para não perdermos a melhor galinhada de Minas Gerais o que na verdade aconteceu, não tivemos tempo necessário para degustar esse almoço, pois prosseguimos viagem.  Estava em companhia do fotografo Cleber Medeiros e fazíamos uma rápida peregrinação pelo sertão mineiro.

Outrossim, era uma tarde de verão, e o sol estava abrasador, tudo isso contribuiu para que não ficássemos para a galinhada.

deposito

deposito

                        Visitamos ainda algumas outras ruas e casas coloniais remanescentes desse antigo arraial.

Fazenda do Leitão e o Curral Del Rey

(por: José Rodolpho Assenço)

                       A Fazenda do Leitão ou Fazenda do Córrego do Leitão, construída por volta de 1833, é a única edificação remanescente do Antigo Arraial de Curral del Rey.

varanda_da_fazenda_do_leitao

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                        Construída por José Candido da Silveira, o remanescente casarão assistiu ser destruído o velho arraial para a construção da nova capital mineira, Belo Horizonte, sendo o único símbolo ou lembrança daquela época. 

fazenda_do_leitao

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Porém, assistiu também às imensas transformações, como a construção da cidade e seu crescimento, e hoje, o casarão persiste rodeado pela imensa capital com seus espigões, no bairro de Lourdes, bem próximo ao centro.

sobrado_da_fazenda_do_leitao

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                        Preciso citar fatos relativos ao desmantelamento de Curral del Rey, o que faz parte da irresponsavél mania de nosso povo, e os governantes, em destruir o que representa materialmente o passado, quando da implementação de um novo projeto.

                        Curral del Rey era um próspero arraial no sopé da Serra de mesmo nome, que tinha seu conjunto arquitetônico com diversas Igrejas casas e casarões do período colonial.

                        A partir de 1894, com o início da construção de BH, a Companhia Construtora da Nova Capital  iniciou seu projeto de cidade moderna concomitantemente com o de arrasamento total de Curral Del Rey. Entre 1894 a 1897, as Igrejas do Rosário e de Santana foram demolidas.  Por volta de 1900, pouco restava do Arraial, além da Matriz de Nossa Senhora da Boa Viagem.  Em 1906, o belo sobrado colonial que serviu de escritório para companhia foi a última casa a ser aniquilada.

                        Por fim, em 1932, com a nova Matriz já construída, demoliram a Igreja de Nossa Senhora da Boa Viagem, finalizando assim, as lembranças do velho arraial e destruindo por completo, um pedaço da história de Minas Gerais.

                        Retratou-se assim, uma forma de negar as origens coloniais mineiras de estilo barroco, que persistem nas demais cidades históricas desse belo estado, justificando, para tanto, a necessidade desmedida de uma cidade moderna.  

                                       Com o passar dos anos, a nova capital sendo instalada, o casarão da Fazenda do Leitão teve diversas utilizações, tais como: hospedaria; sede de uma fábrica; posto de atendimento e, finalmente em 1940, passou a ter uma destinação mais nobre, condizente com sua importância transformado no Museu Histórico de Belo Horizonte ou Museu Abílio Barreto.

escadaria_fazenda_do_leitao

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museu_abilio_barreto

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Atualmente guarda em seu interior grande parte dos documentos de mais de cem anos dessa bela capital.

varanda_e_bosque_da_fazenda_do_leitao

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Situado em um pequeno bosque de arvores centenárias, formam um conjunto único em meio a um mundo de concreto e asfalto ao seu redor.

jardim_do_museu_abilio_barreto

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                        Estacionados neste jardim, encontram-se a primeira locomotiva a vapor que funcionou de 1894 a 1897, transportando pessoas e ferramentas para a construção da nova cidade, fazendo a ligação do arraial com a Estrada de Ferro Central do Brasil;

primeiro_vapor_de_belo_horizonte

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e um velho bonde que circulou por Belo Horizonte até o ano de 1963.

bonde_de_belo_horizonte

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                        Visitamos todos os cômodos, e observamos que seu formato e sua disposição no terreno, com um estacionamento de grandes pedras redondas que o circula logo abaixo, sugere que a sede da fazenda recebia grandes carruagens, demonstrando  sua importância no período.  

estacionamento_da_fazenda_do_leitao

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Construído com diversas terças de madeira de lei, de grande largura e adobe todo o conjunto passou por uma grande restauração recentemente.