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CAMPO NOVO, uma serra, um morro, uma gelada

(por: José Rodolpho Assenço)

                        Campo Novo ou Morro das Torres, topo da Serra Catarinense, é considerado o local de menores temperaturas do território nacional e oferece uma visão que se perde por mais de setenta quilômetros com um cenário de belezas exóticas.

morro_das_torres

morro_das_torres

                        Saí com os meninos (filhos) logo cedo de Lages, Santa Catarina, com o intuito de conhecer o alto da serra, o que seria o local mais frio do Brasil. Já na saída de Lages, deparamo-nos com uma geada que transformava todos os campos em um lençol branco e, nesse cenário, permanecemos em todo o trajeto.  O acesso ao Morro do Campo Novo fica entre Urupema e Rio Rufino. E, para tanto, percorremos algo aproximado a sessenta quilômetros.

                        Com a forte incidência solar e com o passar das horas se aproximando do meio dia, a geada foi se dissipando.

                        No acesso, pegamos uma estrada de saibro e cascalho por aproximadamente um quilômetro e meio até chegar ao topo desse singular morro. Á medida que nos aproximávamos de lá, a mata de pinheiro e demais árvores foram desaparecendo dando lugar a uma vegetação arbustiva.

vegetação_no_morro_do_campo_novo

vegetação_no_morro_do_campo_novo

                        Nesse dia, contávamos com um sol muito forte, o que mantinha a temperatura próxima a zero grau, mas o vento provocava uma sensação um tanto desconfortável.

                        Não tardamos a chegar ao cume e logo estacionamos o carro em um primeiro mirante, onde, imediatamente, descemos para tirar fotos e observar o local. 

mirante_no_campo_novo

mirante_no_campo_novo

Nesse ponto, pode-se ver, logo abaixo, a pequena São Rufino e algumas outras cidades mais distantes.

vista_de_são_rufino

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                        O Morro da Serra do Campo Novo tem, nesse local está a 1750 metros de altitude e é um dos pontos mais altos do estado, além de ser considerado o local mais frio do Brasil, e está próximo ao circuito da neve de São Joaquim e Urupema. 

vista_da_serra_de_campo_novo

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                        No seu cume de formato quase plano levemente abaulado, possui um quilômetro de comprimento por quinhentos metros de largura. 

planalto_catarinense_visto_do_morro_das_torres

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                        Assim que estacionamos o carro, num segundo momento, próximo às torres de transmissão, tivemos outra grande surpresa: o morro, ao contrário de todos os outros cumes que conheci, é, na verdade, um grande banhado, uma turfeira. Acontece que ali existe o fenômeno do lençol freático que chega a atingir a superfície do terreno. Fiquei pensando como essa água chegaria até ali para transformar o cume em pântano. 

cume_do_morro_das_torres

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          A verdade é que esse admirável fenômeno proporcionou também belas fotos, principalmente da vegetação arbustiva circunvizinha.

                        Junto às torres, uma placa registra as condições severas de clima e a temperatura do local.

placa_no_morro_das_torres

placa_no_morro_das_torres

                        O solo é composto de pequenas pedras e cascalho de origem basáltica repleta de matéria orgânica em decomposição em meio aos alagados, o que provoca a proliferação de gramíneas de coloração verde-clara bastante interessante.  Imediatamente, mesmo diante de todo o frio que estava sentindo, registrei, da melhor forma, essa beleza exótica extraordinária, da qual não tinha conhecimento.

vegetação_e_trufeiras_no_campo_novo

                        Os meninos acharam “o máximo” tamanha aventura. E eu, também feliz com o passeio, mas preocupado com eles, pois a temperatura próxima a zero e o vento cortante exigiam que todos estivéssemos bem agasalhados.

                        Não havia ninguém para nos receber no local, mas encontramos um aventureiro mais acostumado a passar por ali que nos relatou outros fenômenos que acontecem por lá. O primeiro é o congelamento imediato da chuva em alguns momentos quando toca o solo do morro, acontecimento perigosíssimo para quem dirigiria de volta em uma estrada vitrificada com gelo.

campo_novo

campo_novo

                        O outro fenômeno é o nevoeiro congelado, conhecido como “rime”, que traz belíssimos efeitos. Infelizmente — ou felizmente —, na nossa viagem não tivemos a oportunidade de observar esses fenômenos.  Notamos sim, que os alagado estavam quase completamente descongelado nesse dia, ficando apenas pequeninos pedaços de gelo próximos às bordas, provavelmente remanescentes da geada e da noite congelada.

                        No local, fiz registros também das diversas torres em seu cume e de uma visão de todo o topo abaulado.

                        Visitado esse inusitado local, depois de diversas imagens captadas, achei por bem seguir viagem a São Joaquim, no intuito de não mais castigar os jovens com a ventania cortante da serra.

Consolação, uma Vila na Encosta da Serra Catarinense

(por: José Rodolpho Assenço)                  

                        Consolação, pequenina vila da Serra Catarinense, foi por mim descoberta por acaso.  Seguíamos eu e os meninos pela BR 282, em direção a Uribici, quando achei por bem ativar o GPS no intuito de facilitar minha localização quanto ao acesso para a referida cidade.

Igreja_de_Nossa_Senhora_da_Consolação

Igreja_de_Nossa_Senhora_da_Consolação

                        Passamos por dentro de São Rufino e, aos poucos, percebemos que a cidade logo acabaria em uma estrada de terra. Parei o carro ainda no asfalto e obtive, na internet, a informação que Urubici estaria a trinta quilômetros de distância, sendo todo o percurso em estrada sem pavimentação.

                        Logo me aborreci com o GPS, pois tinha conhecimento de outro acesso pelo asfalto, porém, por já ter dirigido alguns bons quilômetros na BR, decidi prosseguir pela terra. No inicio deste trajeto, pareceu-me bem confortável, toda cascalhada ou britada e que nos permitiria um bom rendimento.

estrada_para_urubici

estrada_para_urubici

                        Porém essa condição logo acabou e partimos por uma simples estrada de terra.  A média de velocidade nessa via não ultrapassava 30 quilômetros por hora, o que provoca uma sensação de que não se consegue vencer as distancias nesse ritmo.  No entanto, aproveitamos para apreciar a paisagem, as fazendas às margens da estrada, as florestas de araucária. Não era um dia muito frio e a sensação térmica nos permitia viajar com as janelas do veículo parcialmente abertas.

estrada_de_são_rufino_a_urubici

estrada_de_são_rufino_a_urubici

                        Toda a estrada segue pela encosta da serra, proporcionando, ocasionalmente, paisagens bem interessantes.

                        Após pouco mais de quinze quilômetros percorridos em aproximadamente uns quarenta minutos, percebemos algumas casas aglomeradas logo à frente e, depois de uma curva, vi um pequeno cemitério com diversos jazigos. À sua frente, uma imponente igreja e diversas casas.

estrada_e_cemitério

estrada_e_cemitério

                        Entre todas as casas, a maior e a mais bela fica bem de frente da Igreja e sugeria ser uma agradável lanchonete. Parei nesse local no intuito de descansar e servir um lanche aos meninos. Estávamos no meio do trajeto.

lanchonete_em_consolação

lanchonete_em_consolação

                        Casa bem arrumada com uma lanchonete bem montada. Logo uma simpática senhora nos perguntou o que queríamos. Pedi água e café. Ofereci, naquele momento, lanche para os meninos. Na sequência, perguntei  o nome daquele lugar.

                        Assim, conheci Consolação, uma simpática vila na encosta da serra, logo abaixo de uma floresta de araucárias com uma população que ultrapassa, em pouco, trezentos habitantes. Esse local pertence ao município de Urubici (SC).

casas_em_consolação

casas_em_consolação

                        Estando os jovens confortáveis no estabelecimento, voltei ao carro, peguei minha máquina fotográfica e comecei a registrar tudo aquilo que via naquele pequeno povoamento. 

igreja_da_consolação

igreja_da_consolação

  A Igreja de Nossa Senhora da Consolação construída em 1938, em especial, pela sua dimensão, imponente e dominando todo o visual da vila.

registro_da_igreja_de_n._s._consolação

registro_da_igreja_de_n._s._consolação

                        Fiz registro também de diversas casas e do intrigante cemitério com diversos jazigos.

cemitério

cemitério

                        Após as imagens da Igreja, prossegui fotografando uma pequena casa anexa, próxima ao crucifixo, e, em seguida, a parada de ônibus e a saída da comunidade.

anexo_da_igreja_de_nossa_senhora_da_consolação

anexo_da_igreja_de_nossa_senhora_da_consolação

                        Retornando à lanchonete, pensando que, não fosse pela bela lanchonete e pela imponência da Igreja de N.S. da Consolação, provavelmente, passaria pela estrada sem parar na pequena vila, perdendo, assim, a oportunidade de conhecer um simpático e intrigante lugar.