Arquivo do Autor: José Rodolpho Assenço

BOM RETIRO – uma história de familia

(por: José Rodolpho Assenço)

                        Bom Retiro é uma simpática cidade da serra catarinense. Tive a oportunidade de visitá-la nesse inverno e defrontar-me com suas belezas e com uma envolvente história de família.

bom retiro

bom retiro

 

                        Em minha viagem a serra, passeando, conhecendo e fotografando diversas cidades, tinha em mente duas possibilidades: a primeira, que me parecia mais interessante, seria partir de São Joaquim, descer a Serra do Rio do Rastro — famosa por infindáveis curvas e rara beleza;  e a segunda seria seguir diretamente rumo ao litoral e descer a BR-282, passando por Bom Retiro, conhecendo, assim,  a cidade em que meu avô materno foi Prefeito no século passado, na década de 30.

                        Hospedado em Lages, em determinada noite, após ter deixado os meninos (meu filho e o filho de minha companheira) dormindo no hotel, achei por bem ir até a um restaurante próximo para comprar alguns gêneros.   Nesse local, encontrei um senhor de nome Gilberto, que me disse ser lenhador, mas que, na verdade, trabalha com derrubada de pinheiro americano para atender à indústria de celulose. Ele me informou que seu carro havia quebrado em Lages e que aguardava a carona para casa, em Bom Retiro.

                        Convidei-o para tomar uma cerveja. Tinha intenção de dele obter mais informações sobre a sua cidade. E assim ocorreu. Na conversa, me contou ser primo primeiro do atual Prefeito. Foi a deixa para que eu lhe informasse ter sido meu avô  Prefeito de Bom Retiro.

                        Nesse contexto, disse-me o senhor Gilberto que eu não poderia então deixar de visitar Bom Retiro, pois, no acesso à Prefeitura dessa cidade, havia um hall com o registro fotográfico de todos os Prefeitos desde sua emancipação.

prefeitura de bom retiro

prefeitura de bom retiro

 

                        Diante dessas informações e imbuído da curiosidade de encontrar uma foto de meu avô na Prefeitura, decidi que a viagem inicialmente planejada a Serra do Rio do Rastro ficaria para outra oportunidade.

                        Chegado o dia de descer a serra, comentei ainda com meu filho: “Na volta, vamos entrar em Bom Retiro, que é para você conhecer um pouco da história de seu bisavô.

                        A história de Bom Retiro está ligada à construção de uma estrada que ligaria Lages a São José (vizinha a Florianópolis) no ano de 1787, onde ficou incumbido o Alferes Antonio Marques Arzão para tal feito, e que foi concluída em 1790. Porém, durante esses anos de obra, descobriu também o Alferes essa região, a qual lhe teria dado o nome de campos do Bom Retiro, e cujas terras foram por ele requerida ao Governo Provincial.

                        De suas terras, há uma localidade chamada Guarda Velha, onde ele construiu também uma outra estrada em pedras cujos vestígios existem até hoje.

                        Bom Retiro foi elevada à condição de Município em 1922 pelo então Governador Hercílio Pedro da Luz.

jardim_em_bom_retiro

jardim_em_bom_retiro

 

                        Após essa rápida abordagem histórica, volto a minha até então nova missão de mostrar algo sobre o bisavô a meu filho.  E assim que entramos na cidade, estacionei o carro em uma simpática e ampla praça, onde descemos e onde pude tirar algumas fotos.  O tempo era curto, pois não queria atrasar nossa viagem ao litoral.

praça_de_bom_retiro

praça_de_bom_retiro

 

                        Seguimos por algumas ruas  paramos para novas fotos na Igreja Matriz de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, que foi inaugurada em 1946.  

rua_da_igreja_de_bom_retiro

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Da Igreja e de uma pequena praça a sua frente, é possível avistar boa parte da cidade.

igreja_de_nossa_senhora_do_perpetuo_socorro

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                        Por fim, parti para minha missão especial: visitar a Prefeitura e quem sabe, mostrar a meu filho dados sobre seu bisavô.

jardim_da_igreja_de_bom_retiro

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                        Logo que chegamos, tomamos um café rapidamente na padaria, momento em que aproveitei para fotografar também a Avenida e parte da cidade, bem como a singela fachada da citada casa.

vista_de_bom_retiro

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                        Assim que entramos na prefeitura, deparamo-nos com as imagens em uma escadaria era a galeria dos ex-Prefeitos de Bom Retiro Confesso que, inicialmente, não conseguia encontrar a foto do Vô Alfredo, até que fui alertado por um dos meninos que havia um “Montenegro”, nome de nossa família, logo à frente.

galeria_dos_ex_prefeitos_de_bom_retiro

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                        Localizado nosso ex-Prefeito, tive uma sensação de satisfação tão grande por ter realizado esse pequeno feito que, de impulso, tirei o quadro da galeria, desprendendo-o da parede,  e o entreguei a meu filho para que posasse para algumas fotos com seu bisavô.

josé_alfredo_montenegro

josé_alfredo_montenegro

 

                        Finalizada a missão voltamos a nossa rota sentido ao litoral.

O Museu da Cerveja de Blumenau

(por: José Rodolpho Assenço)

                       O Museu da Cerveja de Blumenau é um registro da cultura e da história dos habitantes daquela região no tocante à apreciação por essa bebida. A cidade conta, atualmente, com mais de dez cervejarias, tais como: Borck, Daint Bier, Wunder Bier, Eisenbahn, Bierland.

museu_da_cerveja

museu_da_cerveja

 

                        Localizado no centro de Blumenau, o museu foi fundado em 1996, anexo a uma bela praça arborizada, que conta ainda com um grande bar e restaurante, ponto de encontro da sociedade.

praça_em_blumenau

praça_em_blumenau

 

                        Sua origem remete à antiga Cervejaria Feldmann, que doou  a esse museu grande parte de seu acervo —  máquinas, ferramentas, balanças, moinhos de malte, tinas de fermentação além de diversos artefatos, como taças canecas e copos.

maquina_de_produção_de_cerveja

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                        A Cervejaria Feldmann foi fundada em 1898 e produzia, de forma artesanal, utilizando-se de receita trazida da Alemanha.  Foi a primeira cervejaria, no Brasil, a produzir com receita própria e a comercializar a cerveja Bock – vermelha e incorpada —, além da cerveja clara. Seus produtos tinham o nome de Cerveja Victoria e Bock.

                        Após o falecimento do fundador, Heinrich Feldmann, Claus Feldmann adquiriu a fábrica, ampliando-a e ainda comprando outras similares, chegando, assim, a produzir aproximadamente 2.500 garrafas por semana.  O fim dessa cervejaria se deu em 1954.

                        Visitei com minha filha esse ano o pequeno e belo museu no centro de Blumenau.

processo_de_fabricação

processo_de_fabricação

 

Logo que entramos nele, conhecemos as vestimentas dos colonos e dos cervejeiros da região e passamos a assistir a um filme de aproximadamente sete minutos, que apresentou o processo de fabricação da cerveja.

acervo_do_museu_da_cerveja

acervo_do_museu_da_cerveja

 

 

Em seguida, fomos para a sala principal do museu conhecer diversas máquinas. Uma primitiva geladeira, que funciona com pedras de gelo, também nos chamou a atenção.

ferramentas_do_museu_da_cerveja

ferramentas_do_museu_da_cerveja

 

                        Diversas máquinas de cerveja e chopp de diferentes datas e épocas estão em exposição no local.

choppeiras

choppeiras

 

                     Seguimos para um local onde se encontram arquivadas as diversas canecas de chopp e cerveja, entre elas a da primeira edição da oktorberfest, bem como os primeiros barris de chopes utilizados nesse evento.

canecas_das_oktoberfest

canecas_das_oktoberfest

 

                        Na parede lateral do museu, há uma exposição dos diversos rótulos de cervejas em um lado, as produzidas no país. Do outro, as primeiras cervejas produzidas em Blumenau e na região.  Na sequência, passamos para uma sala secundária, onde há uma pequena exposição de fotos antigas de Blumenau e dos Vapores no rio Itajaí.

fotos_historicas_dos_vapores_no_itajaí

fotos_historicas_dos_vapores_no_itajaí

 

                        O Museu da Cerveja é administrado pela Secretaria Municipal de Cultura e possui uma curadora, encarregada de todo acervo em exposição.

                        Finalizamos nosso passeio com uma caminhada de retorno pelo centro de Blumenau até o Hotel onde estávamos hospedados.