Arquivo do Autor: José Rodolpho Assenço

ALTO PARAÍSO, histórias e belezas naturais

                        A Pequena e famosa cidade de Alto Paraíso de Goiás, situa-se a norte da Capital Federal distante aproximadamente duzentos e quarenta quilômetros, sobre a Chapada dos Veadeiros, região mais alta do Centro-Oeste, tendo o Pico do Pouso Alto o ponto culminante de Goiás com mais de mil e quinhentos metros de altitude e a poucos quilômetros da cidade.

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                        Estive por diversas vezes em Alto Paraíso, e por inúmeros motivos sendo que em quase todos eles aproveitei das viagens para conhecer alguma cachoeira, cannyon ou poço.

                        A história do lugar esta ligada a fazenda de Francisco de Almeida e um pequeno núcleo urbano ligado a Cavalcante com o nome de Veadeiros.  Nome este motivado pela enorme quantidade de veados campeiros que existiam e ainda existe na região.

                        Em 1953, Veadeiros foi emancipado de Cavalcante ganhando o novo nome.

                        Houve inúmeros momentos na pequena Alto Paraíso, em primeiro de pequenos pecuaristas, já na década de setenta houve o impulso causado pelo então governador de Goiás que ordenou a construção de uma fabrica, que não aconteceu, a construção do Aeroporto e de um grande hotel, sendo que estes sim foram realizados parcialmente ou totalmente.

                        Outros momentos de evolução da região, tive o prazer de presenciar a partir de 1982, com a criação do Parque da Chapada dos Veadeiros.

                        Minha primeira visita foi quando da formação do parque, e foi motivada no intuito de reencontrar um amigo Radioamador que havia mudado para essa pequena cidade.  Nessa viagem fomos eu, e mais dois colegas radioamadores para a visita a cidade de Alto Paraíso que, contava com uma avenida principal, um posto de gasolina, dois únicos hotéis de viajantes e poucas ruas.

                        Em nossa visita, aproveitamos para buscar a então estrada de terra que segue de Alto Paraíso até a vila de São Jorge, e dali seguimos de carro dentro do parque até a cachoeira do Rio Preto.  Nesse tempo ainda circulava-se de carro por dentro do parque.

                        Após essa visita, e com o falecimento do amigo residente na cidade, não mais retornei, porem, em 1994 motivado pelo ilustre Professor Luiz Van Beethoven Benício de Abreu, que dirigiu por anos a Funatura e participou da criação de inúmeros parques nacionais, fui convidado a voltar a Alto Paraíso e conhecer inúmeros empreendimentos de ecoturismo.

                        Nesse retorno em companhia do professor fui surpreendido pelo desenvolvimento do local, que passou a contar com inúmeras pousadas de diferentes estilos, bares, restaurantes, e também diversos templos espirituais e religiosos. Haviam alguns em formatos de gotas, e outros de cúpulas, muitos deles que existem até hoje.

                        Comecei a perguntar o que teria acontecido, e logo fui prontamente informado pelo professor que após a ECO 92, no Rio de Janeiro, diversas religiões, ceitas e “tribos”, escolheram Alto Paraíso por entender que ali seria uma cidade mística, na mesma latitude de Machu Pichu, e com serras de grandes altitudes, alem de toda região ter muitos cristais o que para eles torna essa região de boas energias, e ainda, que estaria livre de um próximo final dos tempos.

                        Nesses grupos tinham “hippies”, discípulos de Osho, outros de religiões indiana, e uma grande leva de espiritualistas e ambientalistas.

                        O professor por sua vez circulava bem entre eles e apoiava diversos projetos de proteção ambiental, formação de reservar particulares privadas e até na orientação a novos estabelecimentos hoteleiros.

                        Nesse período estive por diversas vezes em Alto Paraíso, inclusive para descansar do dia a dia, sempre visitando alguma nova cachoeira.

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                        Mais uma vez fiquei ausente da região por muitos anos até que ano passado convidei por mais de uma vez Nayara para conhecer Alto Paraíso.   Para tanto escolhi uma pequena mais agradável pousada da Dona Cida bem ao centro na Avenida Ary Valadão, onde logo que nos instalamos,  partimos para conhecer a Cachoeira de São Bento a poucos quilômetros da cidade, e com uma excelente estrutura com um café bistrô e cervejas artesanais.

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                        Em São Bento aproveitamos para relaxar tirar algumas fotos e tomar banho em um grande poço localizado a poucos metros da cachoeira.

                        A noite aproveitei para caminhar pela avenida com Nayara visitando o comércio de roupas indianas, bares e restaurantes, onde, escolhemos por fim um restaurante bem variado com musica ao vivo para descontrair.

                        Na manha seguinte partimos ainda cedo para tirar algumas fotos das avenidas ruas e da praça do bambu, uma entre as inúmeras que existem hoje na cidade e, na seqüência fomos a Fazenda Loquinhas para conhecer seus poços em especial o Poço do Xamã.

                        Após percorrer uns cinco quilômetros do centro da cidade, logo chegamos a Loquinhas de onde partimos em caminhada, passando por alguns outros poços até atingir o Poço do Xamã.

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                        Lá permanecemos por uma hora aproximadamente e por fim retornamos para a cidade no intuito de almoçar e de iniciar nosso retorno para casa. ��

LAPINHA DA SERRA – Cenário de rara beleza

(por: José Rodolpho Assenço)

                        Uma das mais belas e emocionantes viagens que realizei no ano passado foi sem duvida a visita ao pacato vilarejo de Lapinha da Serra, nas encostas da Serra do Cipó e a Serra do Intendente.

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                        Saímos muito cedo para tal feito, eu e Nayara seguimos por rodovia estreita e asfaltada até atingirmos a sede  do município de Santana do Riacho, pequena e tranqüila cidade, com algumas casas estilo “decó”, onde, atravessando toda a cidade calçada por paralelepípedos ao final encontramos a saída de terra para a Lapinha.

                        O trecho de terra foi bastante sofrido, bem acidentado com muitas curvas e muitos buracos o que nos demandou bastante tempo para percorrer seus quatorze quilômetros.

                        Transposta a estrada de terra, seguimos por uma descida ao Distrito de Lapinha da Serra onde, pudemos observar tanto algumas casas simples e singelas, bem como algumas grandes casas de veraneio.  No centro próximo ao largo, estacionei o carro e aproveitamos para fazer uma caminhada pelo vilarejo.

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                        Lapinha de Belém como era chamada pelos antigos moradores, a pouco mais de cento e cinqüenta quilômetros de Belo Horizonte, possui aproximadamente seiscentos habitantes que vivem principalmente do turismo e também da agricultura.  Esta localizada ao pé do Pico da Lapinha, situada na também conhecida Serra do Breu contraforte da Serra do Intendente.  Toda a região esta em área de preservação ambiental do Morro da Pedreira.

                        Próximo a Lapinha é possível acessar lagos, cachoeiras, grutas e sítios arqueológicos, locais adequado para diversas praticas esportivas.  Em seu lago é possível nadar, andar de canoa ou caiaque. Proibido porém a utilização de lanchas e motores.

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                        O lago tem o nome de Represa da antiga Usina Coronel Américo Teixeira, hoje Represa da Lapinha. Construída na década de cinqüenta do século passado e hoje desativada.  Ela é composta de dois grandes lagos ligados um ao outro por meio de um canal, sendo que o primeiro, banha as margens do vilarejo e, é de fácil acesso e também o mais visitado.  

                        Existe uma trilha que sobe a Serra do Breu até o Pico do Cruzeiro de onde é possível avistar os dois lagos bem como toda a comunidade de Lapinha da Serra.

                        Acontece também em Lapinha alguns festejos em especial o de São Sebastião, padroeiro da localidade, como também semanalmente seus moradores realizam o Batuque com danças, tambor, pandeiro e violas.

                        De volta ao centro, seguindo por diversas ruas, fomos avisados para fazer um passeio pelo lago, atravessando-o e visitando as pinturas rupestres.  Perguntei a um idoso que caminhava lentamente quem poderia nos guiar nesse passeio e ele prontamente nos indicou seu filho e na seqüência nos guiou até a uma casa onde pediríamos informação.

                        Assim, logo depois de alguns minutos de conversa, partimos no barco desse senhor que nos conduziu pelo lago em sua singela canoa tocada por um varão, senhor este bastante simpático e comunicativo.  O senhor filho do idoso nos contou detalhes da vila do povo e da tranqüilidade do local.  Foi questionado também por Nayara sobre detalhes do funcionamento  do posto de saúde básico do distrito, assunto do qual discorreu com clareza dizendo possuir uma enfermeira muito ativa e atenciosa que cuida de cada morador com muita atenção e carinho.

                        No passeio a canoa atravessamos diversas vegetações, e, em determinado momento observamos alguns cavalos atravessando o lago.  De dentro da para observar algumas boas casas a sua margem, próximo à vila.

                        Ao final do translado ele encalhou a canoa, momento em que descemos e iniciamos uma íngreme e pequena subida até atingirmos as pinturas rupestres em meio a um paredão da serra.

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                        As pinturas com aproximadamente sete mil anos de idade foram realizadas nesse paredão utilizando-se de, sangue, pigmentos de rochas, ervas e óleo, e que resistem a todas as condições de tempo até os dias de hoje.  Nelas estão retratadas coisas do cotidiano como mulheres grávidas, mulheres em parto, animais representando sua caça abundante, e alguns seres não humanos que, acredita-se ser a representação de seus deuses.

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                        Finalizada a visita, retornamos a canoa em direção a Lapinha -,momento esse que aproveitei para inúmeras fotos do lago da Serra do Breu e do conjunto visual desse rincão.

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                        Em Lapinha, retornamos ao centro por onde continuamos passeando até o momento que já cansados, questionei a uma senhora onde poderíamos comer alguma coisa e tomar uma gelada.  Prontamente ela nos indicou o bar da Valeria em frente à capela.

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                        Chegando ao local percebi que estava muito cheio e decidi por subir uma ruela onde atingi um bom restaurante de onde se avistava a capela, o centro da pequena vila, e o enorme paredão da Serra do Breu.

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                        Nesse local permaneci por uma hora, inicialmente tomando uma cerveja e na seqüência servindo do almoço em fogão a lenha.

                        Com o chegar do final da tarde, me veio muita tristeza de ir embora de tão belo local, onde deixei a promessa de retornar para passar alguns dias e inclusive realizar uma caminhada até o Pico do Cruzeiro na imponente Serra a minha frente.

Informações : setur@santanadoriacho.mg.gov.br  tel (31) 3718-7458