Arquivo do Autor: José Rodolpho Assenço

CRUZ DA MENINA, Parque Religioso de uma triste história

(por: José Rodolpho Assenço)

                   A Cruz da Menina é um parque religioso edificado na cidade de Patos, na Paraíba, que traz uma história deprimente. Construída às margens da rodovia que liga a referida cidade a Souza e Pombal, abriga uma antiga capela, sala de orações e de oferendas, anfiteatro e, por fim, a cruz da menina.

cruz da menina

cruz da menina

                   Em minha viagem aos festejos de São João nessa cidade, que é a capital do Sertão, tive a oportunidade de visitar esse complexo, que recebe grande número de romeiros e visitantes vindos de diversas partes do estado e de todo o Brasil em busca de curas.

                   Nessa empreitada, contei com a participação de meus anfitriões e amigos, Normando e sua filha Tatiana. Eles prontamente me levaram ao referido local e me relataram o acontecido com a menina Francisca, mostrando-me o local onde o corpo dela fora encontrado.  Estacionamos o carro e passamos por um pórtico que dá acesso ao local, que é completamente cercado com alambrado.

parque religioso cruz da menina

parque religioso cruz da menina

                   No inicio do século XX, transferiram-se para Patos um casal campinense Absalão Emerenciano — então funcionário da companhia de iluminação que provia luz à cidade — e Domília Emerenciano de Araújo com uma criança, filha de retirantes que teria sido a eles doada após uma avassaladora seca no sertão.

                   Era, segundo a história, Absalão um homem tido como bom, ao contrário de sua esposa que, além de gênio difícil, era também, por vezes, muito agressiva, espancava constantemente a pequena Francisca e dela exigia serviços além de sua capacidade de trabalho.

                   Em uma noite de outubro de 1923, teria Domília saído de casa determinando a Francisca que lavasse todas as louças, arrumasse a cozinha e depois fosse dormir.  Porém, a criança se ateve após as tarefas em ver as crianças brincarem e teria adormecido fora de casa.

                   Por isso, Domília, ao retornar a sua casa, espancou-a incessantemente e, utilizando um pedaço de madeira, teria quebrado um dos braços da criança e fraturando o crânio, o que provocou a morte da pequena.

                   Absalão, por sua vez, ao tomar conhecimento do caso, para se livrar-se do corpo da jovem, levou-o a um local fora da cidade, o sítio Trapiá e teria o jogado sobre algumas pedras, tendo, ainda, colocando terra por cima do cadáver.

local onde encontraram a menina francisca

local onde encontraram a menina francisca

                   Descoberto o corpo por um agricultor, o caso foi levado para o então delegado da cidade e, em pouco tempo, os boatos sobre o assassinato da menina já circulavam pela cidade e todos, a essa altura, sabiam da autoria.  O Agricultor, diante do que havia descoberto, teria ficado tão chocado que ergueu uma grande cruz no local onde havia achado os restos mortais de Francisca.

cruz da menina em patos paraíba

cruz da menina em patos paraíba

                   Os responsáveis, por sua vez, não chegaram a ser presos, pois ficaram sendo protegidos por algumas autoridades, mas, devido à gravidade do fato, tiveram que se mudar da cidade.

                   O local passou a ser visitado por todos, ao longo dos anos, para orações e pedidos.  Em determinado ano, uma nova grande seca assolou o sertão.  O Agricultor José Justino fez um pedido para que encontrasse água para salvar seu rebanho, rogando a Deus, por intermédio da menina. Para sua surpresa, encontrou muita água num poço que cavou bem próximo ao local onde a garotinha fora enterrada.

cruz da menina patos pb

cruz da menina patos pb

                   Diante do acontecido, José Justino decidiu construir, em 1929, uma bela capela, que hoje se encontro no centro da parte coberta do parque, em memória da menina Francisca.

capela da menina francisca

capela da menina francisca

                   Em nossa visita, pude ver a bela capela que, embora singela, é extremamente simpática e está protegida por toda essa cobertura em estrutura metálica.

altar cruz da menina

altar cruz da menina

                   Ao fundo dela, uma Imagem de Nossa Senhora, que se encontra isolada próxima às cruzes. 

nossa senhora

nossa senhora

                   Passamos por uma ala destinada a orações. E outra, do lado inverso, onde se destinada a pedidos e vendas de imagens e utensílios. Nesse local, comprei um cordel que conta, em versos, toda a história da tragédia da menina Francisca.

                   Visitamos, por fim, as pedras e o local onde Francisca teria sido encontrada pelo agricultor.

jardim do parque religioso patos PB

jardim do parque religioso patos PB

                   Por fim, segui fotografando as cruzes e todo jardim a sua volta.

POUSO e a Folia do Divino Espírito Santo

(por: José Rodolpho Assenço)

                   O Pouso do Divino representa uma etapa de uma festa grandiosa e poderosa que atravessa dias e noites de atividades e encenações. Tradição com diversos séculos de existência.

                   No último final de semana do mês de abril, recebi o convite do amigo fotógrafo Henrique Ferreira para participar da cobertura fotográfica de um “pouso” no município goiano de Pirenópolis. Confesso que, em um primeiro momento, não me atentei e cheguei a perguntar assim: pouso de quê?  Mas logo “caiu a ficha” e entendi tratar-se de um Pouso do Divino Espírito Santo.

                   Como as últimas saídas fotográficas com Henrique tinham sido bastante divertidas e prazerosas, aceitei prontamente a proposta e imediatamente me preparei para tal façanha.

bandeira_do_divino_espirito_santo

bandeira_do_divino_espirito_santo

                   O pouso é uma etapa da Folia do Divino Espírito Santo, uma procissão com cavalgadas que atravessa inúmeras fazendas, levando as bandeiras do Divino e que finaliza com a chegada à Matriz em Pirenópolis, no mês de maio.

                   Conta-se que a tradição dos festejos do Divino Espírito Santo teve origem em Portugal, por volta do ano 1320, quando a Rainha Dona Isabel de Aragão, para cumprir uma promessa ao Divino, devia peregrinar por todo mundo com uma cópia da coroa e uma pomba, no intuito de arrecadar donativos para atender aos pobres, promessa essa realizada no intento de por fim a briga do rei com seu filho.

                   A interferência da rainha foi decisiva para evitar um confronto entre os herdeiros da coroa e seu pai e, assim, iniciaram-se as festividades do Divino, sempre após as colheitas, momento de fartura.

                   Retornando aos dias de hoje e ao solo goiano, segui para “Piri” ainda no sábado pela manhã, na intenção de almoçar na referida cidade e conversar um pouco com Henrique sobre a cobertura do evento.  Participou também desse encontro o fotógrafo Valdeir, residente na cidade goiana.

                   Por fim, em torno das 15 horas, seguimos para Fazenda Sagatiba, no mesmo município, local que receberia o pouso, as bandeiras e seus participantes.

                     Ao chegarmos ao referido lugar, ficamos assustados com toda a estrutura montada.  Havia diversas barracas e lanchonetes já instaladas. Algumas vendiam botas, chapéus e assessórios. Logo mais adiante, um grande palco com equipamento de som montado, promessa de um bailão de grandes proporções.

                   Enquanto aguardávamos a chegada da cavalgada e das bandeiras, conversamos com comerciantes, que nos confirmaram que lá para o meio da noite, após a programação cultural e religiosa, esperavam algo em torno de quinze mil pessoas.

chegada_no_pouso_do_divino

chegada_no_pouso_do_divino

                   Próximo às dezessete horas, aconteceu a entrada das bandeiras e da cavalgada na fazenda, inicialmente se posicionando um ao lado do outro, e apenas alguns poucos à frente do grupo.

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 Nesse momento, o adiantado da tarde e a posição do sol nos propiciaram a possibilidade de realização de algumas tomadas interessantes.

chegada_no_pouso

chegada_no_pouso

                    Na sequência, todo grupo se aproximou da fazenda, ultrapassando um pequeno portal montando com folhas e bambu, prosseguindo até a sede, bem próximo ao local do palco onde os cavaleiros desmontaram-se de seus animais.

entrada_das_bandeiras_do_divino_espirito_santo

entrada_das_bandeiras_do_divino_espirito_santo

                   Prosseguimos realizando diversas fotos de todo o percurso

passagem_dos_cavaleiros

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e, em seguida, com as bandeiras do Divino, começaram as rezas ou cantorias, e também novas tomadas de fotos foram realizadas.

cantos_e_orçôes_ao_divino_espirito_santo

cantos_e_orçôes_ao_divino_espirito_santo

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                   Devido a minha veia histórica, não pude deixar de observar uma pequena sede da fazenda que remete ao século XIX, muito comum nessa região.

fazenda_sagatiba

fazenda_sagatiba

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                   Com a proximidade da noite e já com a chegada de diversos veículos para as festividades, decidimos por não permanecer mais no evento, levando em consideração os riscos de não conseguirmos mais sair da fazenda diante de um provável congestionamento.