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PINTÓPOLIS – Passagem para o Velho Chico e sua incrível história

(por: José Rodolpho Assenço)

                   Pintópolis, passagem para o Rio São Francisco, é detentora de uma história única e intrigante iniciada pela concepção criadora do pecuarista Germano Pinto e do apoio de sua família.

matriz de pintópolis

matriz de pintópolis

                   No feriado de carnaval, decidi, com alguns amigos, visitar e passar pelo norte de Minas Gerais, em especial pela região de Januária e São Francisco, no intuito de conhecer as cidades mais antigas de Minas, os antigos potentados do sertão.

                   Inicialmente, analisei a carta das estradas existentes e principalmente pavimentadas e também questionei alguns conhecidos, oriundos da região.

                   Em minha viagem, iria encontrar com o amigo Humberto Neiva em Januária, e este me chamava para ir pela BR040, seguindo posteriormente para Montes Claros e daí para o norte.

                   Todos foram enfáticos em me afirmar que eu teria que rodar aproximadamente 850 quilômetros, dando uma enorme volta. Ressaltaram que não valeria a pena buscar estradas de terra.  Porém, um amigo havia passado pela MG202/402, que segue de Arinos em asfalto até Urucuiá e, a partir de então, em estrada de terra até Pintópolis, onde encontraria novamente o asfalto até às margens do rio São Francisco.   Informou-me o amigo haver apenas 65 quilômetros de terra nesse percurso.

                   Revendo os mapas, cheguei a conclusão que eu gastaria somente quatrocentos quilômetros para chegar ao São Francisco e, por fim, decidi partir nessa aventura.

                   Chegado o dia, atravessamos eu e Nayara os trezentos quilômetros que separam Urucuiá de Brasília e paramos na referida cidade em um posto de gasolina dentro da cidade, e com boa estrutura. 

fazenda e bar as margens da mg202/402

fazenda e bar as margens da mg202/402

No local, indaguei a um motorista e ao frentista a respeito da passagem para São Francisco e Januária e fui informado de que a estrada estava em boas condições, apenas com alguns trechos com costeletas.

mg202/402 saindo de urucúia

mg202/402 saindo de urucúia

                   Saindo de Urucúia, partimos por um verdadeiro areião, mas que proporcionou andar com uma boa velocidade e assim percorremos uns cinquenta quilômetros, porém os últimos vinte e oito últimos foram um pouco mais sofridos com buracos, o que nos fez reduzir a velocidade e atrasar um pouco nossa chegada.

mg202/402

mg202/402

                   Ainda no período da manhã, deparamo-nos com uma placa anunciando a chegada a Pintópolis, de onde pudemos observar o asfalto, logo acima.

chegada a pintópolis

chegada a pintópolis

                   Pintópolis tem uma historia única, seu nome vem de uma homenagem a seu fundador, Germano Pinto, e a sua família.

                   Germano, proprietário de uma grande fazenda, um enorme pedaço de terra a poucas léguas do rio São Francisco, em 1964, idealizou criar uma cidade; pretendia proporcionar uma vida melhor às famílias do norte de minas.  Um homem sem muito estudo e com 40 anos de idade transformou uma parte de sua fazenda Riacho fundo em uma cidade planejada por ele.

                   Sentou-se e começou a rabiscar praças, avenidas, ruas, projetou tudo nos mínimos detalhes.  Na sequência, iniciou a doação de lotes, vendendo também alguns por preço módico, vendeu novilhas, garrote e um cavalo, verba que empregou na construção da Igreja, e começou a abrir espaços para casas, comércios etc…

                   A cidade foi crescendo, e Germano prosseguiu no empreendimento, chegando nos dias atuais a aproximadamente dez mil habitantes.

                   Quando questionado em uma entrevista de 2015, com 90 anos, no tocante ao nome da cidade, disse ter escolhido inicialmente o nome de “Noroeste de minas”, porém não poderia ser esse, pois se referia a uma região; houve outra proposta pelos demais para que se chamasse “Germanópolis”, mas findou Pintópolis.

praça e rua de pintópolis

praça e rua de pintópolis

                   Há registro de algumas reclamações de seus habitantes e até na câmara de vereadores já se questionou a mudança do nome da cidade.  Porém seus habitantes estão acostumados e orgulhosos com nome Pintópolis, justa homenagem ao urbanista do sertão e a sua família.

                   Alguns moradores relatam que, quando viajam a outras regiões onde a cidade não é conhecida, junta sempre alguns desavisados para ver a placa do carro e chegam até a perguntar se é sério e se existe mesmo essa cidade.

praça germano pinto

praça germano pinto

                   Em minha visita a essa simpática cidade, tive oportunidade de percorrer a Avenida Germano Pinto, onde existem palmeiras plantadas por seu Germano no canteiro central, a praça de mesmo nome bem arborizada com um largo e uma grandiosa Igreja.

                   Próximo à Igreja, estacionei o carro e iniciei algumas fotos da praça de Pintópolis, da avenida e da Igreja.

igreja de pintópolis

igreja de pintópolis

                   Em seguida, adentramos ao templo no qual algumas pessoas preparavam-no para alguma cerimônia mais tarde.  Prossegui com minhas fotografias na Igreja.

cotidiano pintópolis

cotidiano pintópolis

                   Continuei fotografando as ruas da cidade, seu cristo, logo na entrada ou saída dessa cidade para São Francisco.

cristo na entrada de pintópolis

cristo na entrada de pintópolis

                   Por fim, todos nós satisfeitos com a visita à simpática cidade, por haver conhecido essa história fantástica do pecuarista urbanista, contentes por ter atravessado a temida MG202/402 sem nenhum problema e termos economizado algo próximo a 350 quilômetros, seguimos nossa viagem rumo ao destino.

(fonte: matéria de Paulo Henrique Lobato “o urbanista do sertão” em : Em.com.br)

MIRACEMA – Visita rápida à primeira capital do Tocantins

(por: José Rodolpho Assenço)

Miracema do Tocantins (antiga Miracema do Norte) foi a capital provisória escolhida pelo Governo Federal para o Estado do Tocantins, o que aconteceu de primeiro de janeiro de 1989 a dezembro do mesmo ano.

                   A bem da verdade, a primeira capital, levando-se em consideração a existência da comarca do Norte no século XIX, foi Natividade e, depois, Paranã (antiga Vila de Palma).

                   Estávamos em uma equipe de trabalho desenvolvida pelo Rotary no intuito de proferir palestras e orientações sobre nossa entidade em Colinas do Tocantins, onde reunimos participantes de todo o estado. Colinas encontra-se, aproximadamente, a trezentos quilômetros da capital, Palmas.  Descemos de nosso voo na capital, onde buscamos um veículo alugado para atingirmos o norte do estado.  Acompanhavam-me nessa viagem mais três nobres companheiros de clube.

                   Segui dirigindo por aproximadamente uns oitenta quilômetros, ao norte da capital, até a cidade de Miracema. Assim que chegamos ao balão de acesso, questionei os colegas sobre a possibilidade de conhecer essa cidade, por ter sido a capital provisória do estado, levando-se em consideração que tínhamos ainda uma folga de horário para chegar a Colinas, o que se decidiu pelo consenso de todos.

                   Miracema, nome de origem indígena, vem de Piracema, período em que os peixes sobem o rio para desovar, que coincide hoje com o período de proibição de pesca nos rios brasileiros.

cruzeiro em miracema do tocantins

cruzeiro em miracema do tocantins

                   A história da região está envolvida com os perigosos índios Xerentes que, por diversas vezes, atacaram, no século XVIII e XIX, os arraiais do norte de Goiás.

                     Os temíveis índios foram sendo expulsos pela ocupação de colonos, agricultores, pecuaristas e garimpeiros.

                   A colonização do local foi marcada por mortes e sofrimentos, não somente pelo confronto com os índios, mas também pelos banhados do córrego Providência, que provocavam febres avassaladoras em quase todos os residentes; ainda assim, devido a grande fertilidade do solo e a condição de navegabilidade do Tocantins, as lavouras, na localidade, e a colonização prosperaram.  Por volta da segunda década do século XX, após a instalação de um estabelecimento comercial, diversos imigrantes se estabeleceram ao seu redor formando o primeiro núcleo urbano.

                   Assim que chegamos a Miracema do Tocantins, seguimos por uma longa alameda até atingirmos as margens do rio, local onde antigamente era o porto das balsas que o atravessavam, uma vez que a ponte de ligação desta a Lajeado, município vizinho, tem poucos anos de existência.  Pode-se ainda observar toda a rampa que ainda existe do lado oposto ao rio.

rio tocantins em miracema

rio tocantins em miracema

                   Estacionamos e descemos a rua, onde havia uma grande cruz, para observar o rio, algumas canoas e barcos ali alojados no largo da rampa desse pequeno porto. Havia também dois restaurantes um em cada lado da rampa.

restaurante as margens do tocantins

restaurante as margens do tocantins

  Ainda no local da cruz, pode-se ver um pequeno e singelo jardim a uma grande construção em concreto com os dizeres “Miracema, o Tocantins começa aqui”.

praça e jardim em miracema do tocantins

praça e jardim em miracema do tocantins

                   No lado inverso do estacionamento, existe uma grande construção circular na cor marrom; ao final do prolongamento de uma comprida praça, que na verdade é a própria Avenida Tocantins, há um canteiro central muito largo em seu meio com diversos pilotis que dão suporte a uma passarela com uma cobertura circular semelhante a um caramanchão. 

miracema

miracema

Diversas casas que remetem a meados do século passado de ambos os lados do local.

casas em miracema do tocantins

casas em miracema do tocantins

                   Convidei meus companheiros de viagem e de Rotary para registrar nossa presença no local com fotos.

                   Após essa estada, seguimos imediatamente para a praça principal e para a Igreja Matriz realizando novas fotos. Trata-se de Matriz de Santa Terezinha do Menino Jesus, toda circular com uma grande torre sineira afastada. Pude observar algumas outras igrejas no estado com semelhante formato, que consiste em diversas pequenas faces formando um círculo e com pontas na soleira superior de cada fase.

Matriz de Santa Terezinha do Menino Jesus

Matriz de Santa Terezinha do Menino Jesus

                   Estacionei novamente na praça principal, momento em que, enquanto aproveitava para tirar algumas fotos das casas ao seu redor, o companheiro Saulo foi a uma pequena venda para comprar água mineral, pois ainda tínhamos mais duzentos quilômetros aproximadamente a serem percorridos.   Ainda na praça, pudemos observar um pequeno coreto.

miracema do tocantins

miracema do tocantins

                   Saímos da cidade pela mesma alameda onde havíamos entrado e seguimos mais uns vinte quilômetros até atingir a BR153 (Belém Brasília), rumo ao norte do estado.