Macedo e o Chic Sabor

(por: José Rodolpho Assenço)                       

                         Com o início da edificação de Brasília a partir de 1956, surgiu o antigo acampamento Planalto, local de moradia provisória de seus construtores e operários, em especial aqueles que, pela proximidade, trabalhavam nas obras da região central da cidade, no eixo monumental.

                        Inicialmente, de casas humildes de madeira, a fisionomia desse acampamento foi mudando ao longo dos anos com o crescimento da capital. Suas casas passaram a ser de alvenarias, sobrados, lojas e comércios e, por fim, o local virou pólo gastronômico, ponto de encontro principalmente de servidores públicos que descobriram a facilidade da vila, levando em consideração a sua proximidade da Esplanada dos Ministérios.

                        Foi nesse ambiente que, há mais de dez anos, o Senhor Raimundo Pereira de Macedo decidiu montar seu estabelecimento, o Chic Sabor.

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                        Macedo, que atuou como chef, garçom, cozinheiro e maitre por mais de 25 anos, exerceu a profissão em diversas casas no Brasil. Nesse passo, trabalhou na embaixada do Brasil na Itália por onde ficou por dez anos e aprendeu a apreciar uma boa bebida, o que também veio a enriquecer sua experiência na culinária.

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                        O Chic Sabor mistura a culinária nordestina, buchadas, cabritos, sarapatel e carne de sol com um cardápio internacional, tudo também adaptado a Brasília. Diversos pescados são servidos diariamente tanto em seu buffet, que é extremamente bem variado, como também nos pratos servidos à mesa.

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                        O restaurante do Macedo causa, pois, admiração aos habitantes e comerciantes da localidade por conseguir trabalhar com tamanha variedade de produtos. Diariamente, no buffet, além de todos os tipos de saladas, feijão, farofa, legumes refogados, peixes, possui um churrasco com mais de 30 tipos de cortes, que vão da picanha ao lombinho, passando pelo carneiro e o surubim na brasa. Esse atendimento funciona de segunda a sábado para o almoço, que se estende até as 15 horas.

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                        Macedo incrementa ainda o buffet com um prato especial para cada dia da semana. O seu carro chefe da comida nordestina, o cabrito, se repete na quarta-feira e no sábado. Na segunda-feira é servida carne de panela com batatas; na terça-feira, a dobradinha; quinta-feira, a tradicional rabada e, por fim, na sexta-feira, oferece uma deliciosa feijoada.

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                        O restaurante, além de apresentar diversos pratos à la carte, é o único local da região onde se pode degustar cervejas especiais, incluindo algumas importadas, vinhos e também águas importadas.

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                        Macedinho, como é carinhosamente chamado pelos seus clientes, tem produtos para todos os gostos. Esse piauiense vive realmente o seu estabelecimento e cuida da culinária, do preparo e do atendimento de seus clientes com muito esmero.

Chic Sabor  tel. (61) 3081-0054

Romana de Natividade

(por: Cleber Medeiros)

Uma das atividades mais interessantes que desenvolvemos em nossas andanças é, sem dúvida alguma, a garimpagem de histórias. Sempre que estamos na estrada, procuramos fugir um pouco dos cronogramas que nós mesmos criamos, parando em bares, restaurantes, rodas de prosa ou quaisquer outros locais que tenham pessoas que conheçam outras pessoas que vivenciaram momentos importantes e pouco conhecidos da história local.

De passagem por Natividade, após fotografarmos alguns cenários naturais e entrevistarmos algumas pessoas, acreditávamos que o trabalho estava encerrado e poderíamos voltar para Brasília ou arriscar uma breve visita até a cidade mais próxima. Paramos para pedir informações em um bar na beira da estrada, perguntamos se havia mais cenários naturais interessantes para fotografar, e nos disseram que não poderíamos partir sem antes conhecer a Dona Romana e suas esculturas de pedra espalhadas por uma área de aproximadamente cinco mil metros quadrados. Disseram ainda que ela via discos voadores, espíritos e falava sobre a salvação do mundo por meio de suas obras.

Partimos para sua chácara um tanto reticentes, mas estávamos imbuídos pela boa e velha curiosidade humana.

A primeira impressão foi de estranheza, entretanto, fomos muito bem recebidos – inicialmente com um pouco de desconfiança por parte da anfitriã.

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Não pude deixar de fazer uma associação imediata ao artista Artur Bispo do Rosário, que utilizava a arte como terapia para sua própria loucura, entretanto, já nas primeiras palavras, percebi que Dona Romana não tinha nada de louca, era consciente inclusive do que algumas pessoas pensavam a esse respeito e explicava suas crenças de uma forma natural, exatamente como faz qualquer religioso ou exotérico.

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Suas esculturas espalhadas por um jardim de aproximadamente 5 mil metros quadrados, que lembra um labirinto grego, mesclam o emprego de pedra canga, cimento, vidros, metais, espelhos e arames, e podemos reconhecer nelas alguns personagens conhecidos, como cangaceiros, São Jorge, Cristo e figuras de animais, cruzes, aviões e discos voadores. Algumas obras remetem também aos Moais da Ilha de Páscoa.

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Segundo a crença de Mãe Romana – como é conhecida localmente – suas obras foram criadas para salvar a Terra após a colisão com um meteoro que reequilibrará o eixo de rotação do planeta, que ela acredita que está fora da órbita natural e por isso estamos passando por desequilíbrios em todo o mundo.

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Ela conta que começou a ter visões há mais de trinta anos e, após um médico sugerir que o problema dela seria espiritual,passou a aceitar a missão de preparar o planeta e a humanidade para a “firmeza do grande eixo”.

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O jardim das pedras seria um refúgio para os sobreviventes do cataclismo. Nele, além de sua própria residência, há um enorme galpão onde são estocadas toneladas de grãos, roupas e água potável dentro de garrafas pet (a pessoa que nos indicou o sítio disse: quer agradar Mãe Romana? Leva garrafas de refrigerante vazias).

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Senti vontade de pedir a ela que me aplicasse um passe, pois acredito na possibilidade de neutralizar as energias negativas que carregamos,  mas fiquei sem jeito de pedir-lhe, me conformando em aceitar um café passado na hora e pensando nas fantásticas histórias que eu poderia contar aos meus filhos e leitores.