Tatuamunha, no paraíso com o peixe-boi marinho

(por: José Rodolpho Assenço)

                        Tatuamunha, vila do município de Porto de Pedras, Alagoas, oferece um passeio imperdível para quem gosta de praia, natureza, simplicidade e ecologia.

                        A cidadezinha está localizada entre a sede do município de Porto de Pedras e São Miguel dos Milagres, também em Alagoas. Pode ser alcançada por quem vem de Maceió, passando por Barra de Camaragibe, ou vindo de Maragogi por Japaratinga em uma estrada estreita que passa por uma belíssima reserva, com direito a travessia de balsa para o centro de Porto de Pedras.

                        Tatuamunha tem em seu centro uma simpática e pequena praça de frente à Igreja de São Gonçalo, algumas vendas disponíveis aos poucos turistas que a visitam e um centro de atendimento ao turista do santuário do peixe-boi.

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                    IMG_5979    Partindo com um guia local, em leve caminhada, ultrapassamos algumas pinguelas sobre um mangue raso de grande beleza, onde crianças nativas brincavam despreocupadamente. Em seguida, atingimos alguns braços do pequeno rio Tatuamunha e, logo após, chegamos ao rio principal, onde embarcamos em jangadas, empurradas por “varões” (varas de madeira comprida que, tocando o fundo do rio, propulsionam a embarcação para frente). Nessa região, não se pode utilizar motor devido ao risco de lesão que pode causar ao peixe-boi. Enfim, chegamos ao local onde esse tranquilo mamífero, quase extinto, está sendo reintegrado à natureza.

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                        Sabe-se que o Peixe-boi marinho chegou a ser declarado extinto no início da década de oitenta, quando houve matança indiscriminada desse animal para utilização da gordura e da carne. Entretanto, restou um exemplar fêmea de cativeiro no lago em João Pessoa e, ainda, um casal que foi levado para um parque em Miami, Estados Unidos, e posteriormente resgatado.

                        Ressalte-se também que, depois, algumas poucas espécies foram encontradas ainda no litoral. Nessa ocasião, deu-se o início ao “projeto peixe- boi”. Hoje há área de readaptação em Alagoas e Paraíba. E a sede do projeto encontra-se em Itamaracá, próximo a Olinda, Pernambuco, onde existem diversos exemplares em recuperação para, num futuro próximo, serem devolvidos à natureza.

                        É importante frisar que esse trabalho se torna árduo e demorado, uma vez que, em cativeiro, esses dóceis mamíferos perdem a habilidade na busca de alimentos para sua sobrevivência. Acredita-se que hoje tenhamos aproximadamente 600 exemplares da espécie.

                      IMG_6012  Voltando ao passeio no Rio Tatuamunha, logo que chegamos ao cercado onde alguns exemplares desses peixes se encontravam em uma primeira fase de readaptação, observamos que a nossa embarcação começava a ser seguida por dois deles que, mesmo estando em liberdade controlada dentro do rio, estavam sendo monitorados, a todo tempo, com localizadores, uma antena de transmissão em seu dorso.

                       Para surpresa e alegria de todos nós, um deles se encostou na nossa jangada, como quisesse se coçar na embarcação. Nesse momento, tiramos uma série de fotos. Deu-nos vontade de fazer um carinho no maravilhoso peixe, porém, desistimos, pois estávamos orientados pelos guias que muito nos recomendaram a não tocar no animal, para não prejudicar a sua readaptação.

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                        Findo o passeio pelo rio, retornamos ao ponto de partida da embarcação, de onde iniciamos mais uma caminhada para alcançar a foz do Rio Tatuamunha junto ao mar. 

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                     Mais um cenário deslumbrante descortinou-se a nossa frente: a água límpida do rio se encontrando com a do mar, numa composição perfeita. Areia extremamente branca e palmeiras que pareciam querer mergulhar no mar. 

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                      Finalmente, não resistindo mais ao calor e à tamanha beleza do lugar, largamos as máquinas e partimos para um mergulho no paraíso.

 

Associação dos Condutores de Turismo e Observaçao do Peixe-Boi  tel: (82)  3298-6247

Delta do Parnaíba

(por: José Rodolpho Assenço)

                        O rio Parnaíba, que nasce na Chapada das Mangabeiras — divisa do Piauí com os Estados do Tocantins e Maranhão — atravessa extensa área do estado incialmente citado, onde forma, no seu estreito litoral, parte do único Delta da América do Sul.

Isso acontece a poucos quilômetros da histórica cidade litorânea de Parnaíba — no Piauí — que abriga também um porto fluvial e algumas construções que merecem ser visitadas.

                        Quando saímos de Parnaíba, ao atravessamos a ponta sobre um dos braços do rio e do delta, logo adentramos na ilha grande, isso ainda no estado do Piauí, e a atravessamos em toda sua extensão, chegando ao Porto de Tatus. Já embarcados, deixamos esse ponto em direção às demais localidades do delta. Passamos por diversos caminhos estreitos com vegetação típica do mangue nordestino, vegetação essa rasteira e com muita lama, área apropriada para caranguejos. 

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Depois desses canais, porém, entramos em um braço mais largo do delta, de onde despontou a nossa frente diversas dunas altas. Vimos algumas pequenas embarcações e também aquilo que seria um ponto de apoio ou um bar.

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                        Nesse local, percebemos que parte do passeio seria sobre as dunas. Partimos então para a subida com todo o peso das bolsas e das lentes que carregávamos. Mas o rápido sofrimento, com certeza, foi esquecido diante de diversas imagens captadas de cima das próprias dunas. Dependendo da posição do sol, havia alteração da cor das imagens captadas — de branco profundo até um amarelo mais escuro.

Ressalte-se que nas imagens feitas sobre as dunas, devido à grande quantidade de branco, confunde a leitura da máquina. Devido a isso, temos que fazer relativa compensação para que a foto saia a mais fiel possível. 

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          Feitas as fotos, corremos para a embarcação em busca de água. Em seguida, um ótimo banho no rio Parnaíba também ajudou a aliviar o calor e a sensação de dor muscular nas pernas, comum àqueles que não estão acostumados a subir grandes dunas e morros.

                        Prosseguimos na embarcação passando por alguns ribeirinhos e poucas aldeias, já do lado do Maranhão, o que também nos rendeu boas imagens. Ao nos aproximarmos da proximidade da foz o Delta do Parnaíba apresentou, à sua margem, uma vegetação de mangue, que ainda desconhecíamos. Parecida com a típica, porém compostas de grandes árvores de aproximadamente trinta metros e com as mesmas características das raízes dos manguezais.

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                        Poucos quilômetros abaixo, chegamos ao encontro da água doce com a do mar. Nota-se, facilmente, num simples olhar, a diferença entre as duas. A água do mar é muito mais límpida, mesmo estando a do rio Parnaíba sem qualquer poluição.

                        Ancoramos próximo a uma restinga, e então mais uma longa caminhada. Dessa vez, porém, não havia subidas. Daí, uma verdadeira travessia de deserto até chegar ao mar. Mais fotos, e claro, depois um banho de mar para recuperar as energias.

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                        Nesse ponto, a praia é de água clara com um mar não muito forte, porém a imensidão do lugar e a total falta de apoio ou de habitações causam certo medo aos banhistas.

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                        Depois de algumas horas, retornamos ao Porto de Tatus, na Ilha Grande, Piauí, sem dúvida, felizes pelo fato de os esforços desprendidos terem sido bem recompensados.