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Monthly Archives: Março 2017

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CATULÉ e Bonito de Minas

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(por: José Rodolpho Assenço)

                   Catulé é o nome de um rio no município de Bonito de Minas, local de um belo balneário, com praia e água límpida, local de vegetação abundante e bem conservada do norte do estado.

praça da matriz em bonito de minas

praça da matriz em bonito de minas

                   Saí tarde da manhã em companhia de Nayara e de meu amigo Humberto Neiva, da esposa e dos netos dele, em busca de algum local para passarmos a tarde e almoçar.  Seguimos por uma estrada em boas condições, que partia de Brejo do Amparo para o município de Bonito de Minas, numa distância aproximada de quarenta e cinco quilômetros.

                   Logo que caímos na estrada, passamos por vegetações interessantes, inúmeras paredes de pedra, que nos pareceram de origem calcária de tonalidade cinza claro; abaixo, uma mata exuberante intercalada com pequenas propriedades rurais que transpareciam conviver de forma harmoniosa com a natureza.

                   Acima dessas formações rochosas, tínhamos sempre a presença de inúmeros cactos de formato e coloração diferente.

                   A estrada é sinuosa e, por essa razão, andávamos bem devagar, de forma a também poder observar a beleza colocada a nossa frente pela natureza.

bonito de minas

bonito de minas

                   Assim que chegamos a Bonito de Minas, saímos do asfalto e encontramos a cidade toda pavimentada em paralelepípedos, alguns belos casarões logo na entrada e, em uma avenida larga, localizamos a praça e a Igreja Matriz.  Estacionamos os veículos e, em seguida, busquei fotografar a pequenina e simpática Igreja de Bom Jesus do Bonito.

igreja de bom jesus

igreja de bom jesus

                   Caminhei ainda próximo a essa praça realizando um conjunto de foto.

rua principal bonito de minas

rua principal bonito de minas

                   Bonito teve sua origem de um ponto de pouso de tropeiros que vinham de Goiás, isso em 1937.

casarão em bonito de minas

casarão em bonito de minas

                   O senhor João Gasparino Pimenta, pecuarista da região, fazia nesse local, seu primeiro pouso, após sair de suas terras em direção a Montes Claros para comercializar seu rebanho.

                   Nesse costume, certa feita, Gasparino procurou os donos das terras, e o Senhor João Antonio Coutinho doou-lhe parte de suas terras para a fundação de um povoamento.

                   Logo em 1939, iniciava-se o pequeno arraial e, em seguida, construída a Igreja do Bom Jesus.

                   Em 1976, o povoamento foi elevado a distrito de Januária e, por fim, em 1995, esse foi desmembrado tornando-se município.

cruzeiro em bonito de minas

cruzeiro em bonito de minas

                   Voltando a nossa visita, atravessamos a cidade de Bonito e, por fim, em uma estrada de terra, ou melhor, um verdadeiro areal, seguimos por aproximadamente oito quilômetros até atingir o Balneário de Catulé, que conta com uma estrutura de bar (sem restaurante). O rio Catulé tem águas cristalinas e há uma ponte de fila única, em concreto, e uma bela praia de areias claras amareladas.

estrada do catulé

estrada do catulé

                   Estacionamos. O calor estava intenso e, de imediato, decidimos beber alguma coisa, momento esse em que achamos por bem perguntar ao dono do bar sobre qual seria o almoço.  Imediatamente, assustamo-nos com sua resposta, pois, no local, ele não servia refeição. Indicou-nos, porém, uma senhora, a uns cinquenta metros, dona de uma chácara que normalmente servia galinhada.

                   Deixando nossos pertences no bar, buscamos conversar com essa senhora, para resolver nosso problema, que era sério, pois éramos muitos e contávamos com a presença de crianças no passeio.

                   De pronto, todavia, ela se comprometeu, com preço bem acessível, a fazer uma galinhada com feijão tropeiro, além de carne de sol com batata e salada, concedendo-nos um prazo de hora e meia para retornarmos.

praia do catulé

praia do catulé

                   Naquele momento, e com nosso almoço encomendado, buscamos novamente a praia do balneário para um banho e também para realizar algumas fotos do local.

corrego catulé

corrego catulé

                   Ao retornar à mesa, estava tudo pronto. Tivemos a oportunidade de aproveitar de uma galinhada, mas, o que nos causou maior surpresa foi, sem dúvida o feijão tropeiro que aquela senhora preparou, com torresmo, bacon, realmente uma delícia.

                   Dessa forma finalizamos nosso passeio.

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Igreja de Nossa Senhora do Rosário em Brejo do Amparo

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(por José Rodolpho Assenço)      

                  A Igreja de Nossa Senhora do Rosário, no distrito de Brejo do Amparo, município de Januária, Minas Gerais, é a segunda mais velha de Minas.

                   Em minha viagem a Januária, fiz questão de, em uma manhã, conhecer essa Igreja. Trata-se de uma construção de porte médio, parcialmente arruinada, com um povoado minúsculo a seu redor.

Igreja velha do rosário

Igreja velha do rosário

                   Consta que, por volta de 1640, algumas famílias se instalaram numa localidade chamada de Porto Salgado (exatamente onde hoje se encontra Januária), no intuito de atender e hospedar tropeiros, viajantes e canoeiros.  Existia, porém, uma aldeia indígena que realizava inúmeros ataques aos invasores.

                   Foi designada a Manuel Pires Maciel a missão de invadir a aldeia, ficando acertado que a este seria concedida a posse das terras que estavam à distancia de uma légua da margem do Rio São Francisco, da localidade de Porto Salgado.  E assim aconteceu, ele partiu com muitos homens armados e promoveu a matança dos índios da aldeia.

                    Ele fundou um novo arraial, que atraiu demais residentes de Porto Salgado para o local, por não sofrer inundações do rio.

                   Foi incumbido também construir uma capela dedicada a Nossa Senhora do Amparo e arraial que se formou passou também a se chamar de Arraial de N.S. Amparo.

                   É o núcleo inicial do povoamento e constituição da futura cidade de Januária.

                   Por sua vez em 1688, foi construída a Igreja de Nossa Senhora do Rosário em uma obra orientada por jesuítas, com pinturas em sua abóboda, guarda-corpo, piso em placas de madeira, capela e altar em colunas torcidas em um povoamento vizinho, chamado Barro Alto.

igreja de nossa senhora do rosário em brejo do amparo

igreja de nossa senhora do rosário em brejo do amparo

                   Em 1989, a Igreja de Nossa Senhora do Rosário foi tombada pelo Iepha – Instituto Histórico Estadual, porém nenhuma benfeitoria foi feita e, por fim, o teto dessa edificação veio a desabar, o que provocou uma grande reação da sociedade e em especial no Governo de Minas que, em sequência, anunciou a recuperação do referido templo.

espaço aberto igreja do rosário

espaço aberto igreja do rosário

                   Acompanhava-me nessa empreitada Nayara Viana que, de tanto me ouvir falar nesse prédio histórico, também já tinha grande curiosidade de conhecê-lo.  Atravessamos toda a cidade de Januária e seguimos por uma rodovia que liga essa ao distrito de Brejo do Amparo e, logo assim que chegamos, pedimos orientação sobre como chegar até o Barro Alto, povoamento distante três quilômetros do distrito.

                   Com as devidas informações, seguimos por uma estrada de terra extremamente estreita, com diversos córregos, atravessando algumas pontes de madeira. Percorremos esse trecho com muito cuidado e bem lento por aproximadamente uns dois quilômetros, até chegar ao início do povoamento, momento em que a estrada se transformava em uma enorme vala com muita lama por todo lado.

estrada em barro alto

estrada em barro alto

                   Ainda tentamos prosseguir. Com medo de atoleiro, porém, tivemos que desistir da ideia, e subimos com o veículo em uma pequena rampa com a intenção de, na descida, evitar o atoleiro.  Ainda restava aproximadamente uns mil metros de atoleiro pela frente e, com a máquina fotográfica na mão, iniciamos uma caminhada lenta sobre a lama, que nos fazia deslizar. Mesmo assim, seguimos até o momento em que avistamos acima a cruz em madeira e parte da fachada da Igreja.

igreja do rosário vista da estrada

igreja do rosário vista da estrada

                   Iniciamos a subida e logo estávamos no platô da Igreja, passando, na chegada, por um pequeno cemitério parcialmente abandonado.

entrada do cemitério em brejo do amparo

entrada do cemitério em brejo do amparo

                   Ali paramos para observar tudo o que nos rodeava. Fotografamos a fachada, a cruz em madeira de lei.  Circulamos pela igreja também no intuito de colhermos outras fotos em diversos ângulos, de forma a retratar o melhor possível tão impressionante e belo monumento.

lateral da igreja do rosário

lateral da igreja do rosário

                   Estava a Igreja cercada e com um galpão de obra em madeira ao lado do qual partiu em nossa direção um senhor, na verdade um artesão carpinteiro, que nos indicou o acesso à área cercada.

                   Ao entramos na Igreja, visitamos a nave, o altar e suas pinturas parcialmente destruídas pelo desabamento.

pinturas e altar igreja do rosário

pinturas e altar igreja do rosário

                   O citado artesão, de nome Araújo, informou-nos que trabalhava para uma construtora de Minas Gerais, responsável e contratada para o trabalho de recuperação desse importante templo. Relatou-nos também sobre seu trabalho de desmontar o telhado caído, separando as peças para serem aproveitadas; mostrou-nos, ainda, um cômodo onde guardava cuidadosamente portas, portais e placas de madeira para a reconstituição.

portas e madeira da igreja do rosário

portas e madeira da igreja do rosário

                   A Igreja consta com uma sacada na lateral esquerda e um grande cômodo na lateral direita, uma casa paroquial ao fundo em prolongamento.

balaustres mezanino e torre sineira igreja do rosário

balaustres mezanino e torre sineira igreja do rosário

                   Composta em um estilo rústico, possui uma torre sineira com um símbolo em sua ponta. Cercada na lateral e ao fundo por balaústres e paredes em arco.

                   Prosseguimos fotografando o local, na tentativa de registrar, em meio a ferramentas e entulhos, o máximo possível daquele ambiente.

altar mor igreja do rosário

altar mor igreja do rosário

                   Após inúmeras fotos, voltamos nossa atenção ao Senhor Araújo, que ainda nos prestou diversas informações sobre a recuperação da Igreja e sobre o trabalho dele.

                   Finalizando a inesquecível visita, retornamos a Januária para desfrutar de uma peixada, tudo previamente combinado com amigos para aquele dia.

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