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Monthly Archives: Março 2017

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SÃO FRANCISCO, da Igreja de São José ao por do sol

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(por: José Rodolpho Assenço)

                   São Francisco, cidade ribeirinha do norte de minas, é famosa pela beleza de seu por do sol — citado por Guimarães Rosa — e pela bela e imponente Igreja de São José.  Com uma população aproximada de sessenta mil habitantes é considerada uma grande e importante cidade dessa região mineira.

matriz de são josé

matriz de são josé

                   Em nossa viagem, alcançamos o rio São Francisco por volta das doze horas e havia rodado entre terra e asfalto 400 quilômetros, partindo de Brasília; restava atravessar o rio em si sobre balsa e percorrer uns sete quilômetros até a cidade.  Aguardávamos, no lado oposto da cidade, no barranco do rio, a chegada da balsa que, por motivos desconhecidos, demorou a retornar a essa margem, onde estávamos eu e Nayara.

                   Chegada a balsa, não tardamos a estacionar sobre ela e descer para tirar algumas fotos do Velho Chico, enquanto fazíamos a travessia.  Tratava-se de uma balsa simples e que, por causa das estradas de terra, encontrava-se bastante enlameadas. 

balsa em são francisco minas gerais

balsa em são francisco minas gerais

                   Alcançando o lado da cidade, rapidamente partimos em busca de almoço, pois havíamos acordado muito cedo e se aproximava das duas da tarde.  Chegamos ao centro e logo avistamos um belo restaurante suspenso, uma torre sobre o rio, construído acima de suas pedras que nos proporcionou, além do almoço, um visual da orla da cidade com a Matriz de São José ao fundo.

orla e porto de são francisco

orla e porto de são francisco

                   Conta a história que, por volta de 1690, havia algumas quadrilhas de assaltantes no rio São Francisco; devido a isso, as autoridades à época enviaram algumas bandeiras para combatê-las. Esses bandidos se refugiavam nas aldeias dos índios e, a partir de então, aconteceu um grande genocídio desses silvícolas promovido por diversas bandeiras, entre elas a de Domingos do Prado e Oliveira.

                   Domingos do Prado era bandeirante paulista. Em 1702, estabeleceu-se na fazenda Pedras de Cima, “nome este dado em referência a Maria da Cruz, que se chamava Pedras de Baixo”. A partir desse estabelecimento, deu-se início a povoação e a criação do povoado de Pedras de Cima, posteriormente mudando de nome para Pedras do Anjico, São Francisco das Pedras até São Francisco.

                   São Francisco de muitas histórias, povo tranquilo, atencioso, porém de muita superstição e lendas que são contadas através de gerações.

                   Tive a oportunidade de conhecer uma delas que se refere ao: “Sono do Rio”. Dizem que o rio São Francisco, por volta da meia noite,  tende a  calar suas águas, elas param de correr, seus peixes param de pular, corredeiras, redemoinhos tudo para.  E é nesse momento que o rio adormece por alguns minutos – uns quinze a vinte minutos -, e que, se alguém tiver navegando, pescando às margens ou embarcado, tem que parar tudo e aguardar o sono do rio.

                   Aqueles que não atendem ou incomodam o sono do rio tende a desaparecer ou sofrer amarguras diversas.  Recomenda-se que, no momento em que você estiver pescando no rio e perceber que tudo parou, pare o que está fazendo e fique quietinho na canoa até o rio acordar do sono.

igreja de são josé em são francisco

igreja de são josé em são francisco

                   Voltando ao restaurante em que estávamos e de onde tiramos foto do porto do muro em pedra e da igreja ao fundo, matamos nossa fome que um almoço bem farto; depois de um café, seguimos de retorno ao centro da cidade onde estacionamos próximo à Igreja de São José, para iniciar uma caminhada conhecendo e fotografando a cidade do por do sol do São Francisco.

são francisco

são francisco

                   Infelizmente, não tivemos acesso a seu interior, onde dizem ter uma belíssima imagem de São José, porém, circulamos todo o prédio realizando inúmeras fotos.

observatório do por do sol

observatório do por do sol

                   À sua frente, um monumento que consiste em uma cruz sobre um altar que é conhecido por todos como o ponto de observação do por do sol, exatamente em frente à matriz e de frente para o Rio São Francisco.

praça em são francisco

praça em são francisco

                   Após tirarmos fotos da igreja, seguimos fotografando a praça ao seu largo e caminhamos por algumas ruas do centro registrando os casarões remanescentes.

casa em são francisco mg

casa em são francisco mg

                   Existe um local onde são realizadas as festividades, em especial as festas de santo, conhecido como o cimentão.

cemitério em são francisco

cemitério em são francisco

                   Após concluir a visita ao centro e assim que nos dirigíamos pela avenida principal, ou comercial da cidade, já próximo da saída, percebemos o antigo cemitério, e não contive minha curiosidade, parei para fotografar seu pórtico do inicio do século passado.

cemitério

cemitério

                   Finalizada as fotos, prosseguimos nossa viagem para outro destino.

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PINTÓPOLIS – Passagem para o Velho Chico e sua incrível história

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(por: José Rodolpho Assenço)

                   Pintópolis, passagem para o Rio São Francisco, é detentora de uma história única e intrigante iniciada pela concepção criadora do pecuarista Germano Pinto e do apoio de sua família.

matriz de pintópolis

matriz de pintópolis

                   No feriado de carnaval, decidi, com alguns amigos, visitar e passar pelo norte de Minas Gerais, em especial pela região de Januária e São Francisco, no intuito de conhecer as cidades mais antigas de Minas, os antigos potentados do sertão.

                   Inicialmente, analisei a carta das estradas existentes e principalmente pavimentadas e também questionei alguns conhecidos, oriundos da região.

                   Em minha viagem, iria encontrar com o amigo Humberto Neiva em Januária, e este me chamava para ir pela BR040, seguindo posteriormente para Montes Claros e daí para o norte.

                   Todos foram enfáticos em me afirmar que eu teria que rodar aproximadamente 850 quilômetros, dando uma enorme volta. Ressaltaram que não valeria a pena buscar estradas de terra.  Porém, um amigo havia passado pela MG202/402, que segue de Arinos em asfalto até Urucuiá e, a partir de então, em estrada de terra até Pintópolis, onde encontraria novamente o asfalto até às margens do rio São Francisco.   Informou-me o amigo haver apenas 65 quilômetros de terra nesse percurso.

                   Revendo os mapas, cheguei a conclusão que eu gastaria somente quatrocentos quilômetros para chegar ao São Francisco e, por fim, decidi partir nessa aventura.

                   Chegado o dia, atravessamos eu e Nayara os trezentos quilômetros que separam Urucuiá de Brasília e paramos na referida cidade em um posto de gasolina dentro da cidade, e com boa estrutura. 

fazenda e bar as margens da mg202/402

fazenda e bar as margens da mg202/402

No local, indaguei a um motorista e ao frentista a respeito da passagem para São Francisco e Januária e fui informado de que a estrada estava em boas condições, apenas com alguns trechos com costeletas.

mg202/402 saindo de urucúia

mg202/402 saindo de urucúia

                   Saindo de Urucúia, partimos por um verdadeiro areião, mas que proporcionou andar com uma boa velocidade e assim percorremos uns cinquenta quilômetros, porém os últimos vinte e oito últimos foram um pouco mais sofridos com buracos, o que nos fez reduzir a velocidade e atrasar um pouco nossa chegada.

mg202/402

mg202/402

                   Ainda no período da manhã, deparamo-nos com uma placa anunciando a chegada a Pintópolis, de onde pudemos observar o asfalto, logo acima.

chegada a pintópolis

chegada a pintópolis

                   Pintópolis tem uma historia única, seu nome vem de uma homenagem a seu fundador, Germano Pinto, e a sua família.

                   Germano, proprietário de uma grande fazenda, um enorme pedaço de terra a poucas léguas do rio São Francisco, em 1964, idealizou criar uma cidade; pretendia proporcionar uma vida melhor às famílias do norte de minas.  Um homem sem muito estudo e com 40 anos de idade transformou uma parte de sua fazenda Riacho fundo em uma cidade planejada por ele.

                   Sentou-se e começou a rabiscar praças, avenidas, ruas, projetou tudo nos mínimos detalhes.  Na sequência, iniciou a doação de lotes, vendendo também alguns por preço módico, vendeu novilhas, garrote e um cavalo, verba que empregou na construção da Igreja, e começou a abrir espaços para casas, comércios etc…

                   A cidade foi crescendo, e Germano prosseguiu no empreendimento, chegando nos dias atuais a aproximadamente dez mil habitantes.

                   Quando questionado em uma entrevista de 2015, com 90 anos, no tocante ao nome da cidade, disse ter escolhido inicialmente o nome de “Noroeste de minas”, porém não poderia ser esse, pois se referia a uma região; houve outra proposta pelos demais para que se chamasse “Germanópolis”, mas findou Pintópolis.

praça e rua de pintópolis

praça e rua de pintópolis

                   Há registro de algumas reclamações de seus habitantes e até na câmara de vereadores já se questionou a mudança do nome da cidade.  Porém seus habitantes estão acostumados e orgulhosos com nome Pintópolis, justa homenagem ao urbanista do sertão e a sua família.

                   Alguns moradores relatam que, quando viajam a outras regiões onde a cidade não é conhecida, junta sempre alguns desavisados para ver a placa do carro e chegam até a perguntar se é sério e se existe mesmo essa cidade.

praça germano pinto

praça germano pinto

                   Em minha visita a essa simpática cidade, tive oportunidade de percorrer a Avenida Germano Pinto, onde existem palmeiras plantadas por seu Germano no canteiro central, a praça de mesmo nome bem arborizada com um largo e uma grandiosa Igreja.

                   Próximo à Igreja, estacionei o carro e iniciei algumas fotos da praça de Pintópolis, da avenida e da Igreja.

igreja de pintópolis

igreja de pintópolis

                   Em seguida, adentramos ao templo no qual algumas pessoas preparavam-no para alguma cerimônia mais tarde.  Prossegui com minhas fotografias na Igreja.

cotidiano pintópolis

cotidiano pintópolis

                   Continuei fotografando as ruas da cidade, seu cristo, logo na entrada ou saída dessa cidade para São Francisco.

cristo na entrada de pintópolis

cristo na entrada de pintópolis

                   Por fim, todos nós satisfeitos com a visita à simpática cidade, por haver conhecido essa história fantástica do pecuarista urbanista, contentes por ter atravessado a temida MG202/402 sem nenhum problema e termos economizado algo próximo a 350 quilômetros, seguimos nossa viagem rumo ao destino.

(fonte: matéria de Paulo Henrique Lobato “o urbanista do sertão” em : Em.com.br)

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