Paste your Google Webmaster Tools verification code here

Monthly Archives: outubro 2015

by

OURO FINO – Viagem aos Arraiais Extintos

Categories: fotostrada, Tags: , , , , , , , , , , , , , , ,

(por: José Rodolpho Assenço)

                        Ouro Fino e o Arraial do Ferreiro, fundados por Bartolomeu Bueno da Silva e seus amigos de bandeira no ano de 1726, no sertão de Goiás, hoje pouco restam a serem visitadas, somente ruínas. Mas estão na lembrança do povo e imortalizados na música do “Chico Mineiro”, de Francisco Ribeiro e Tinoco.

                        “Fizemos a última viagem.  Foi lá pro sertão de Goiás.  Fui eu e o Chico Mineiro.   Também foi o capataz.    Viajamos muitos dias.   Pra chegar em Ouro Fino.    Aonde nós passemo a noite.   Numa festa do Divino.  A festa tava tão boa.    Mas antes não tivesse ido.    O Chico foi baleado.    Por um homem desconhecido. Larguei de comprar boiada.  Mataram meu cumpanheiro.    Acabou-se o som da viola.    Acabou-se o Chico Mineiro. ”

                        Numa noite, na cidade de Goiás, eu, Cleber Medeiros (fotógrafo), Jaque Araújo (fotógrafa) e minha filha pensávamos numa maneira de chegar aos Arraiais extintos de Ferreiro e Ouro Fino. Caminhávamos pelo centro dessa bela cidade histórica, até que chegamos ao largo da Igreja da Boa Morte e nos sentamos na varanda do restaurante mais simpático da localidade, coincidentemente com o nome de “Espaço Ouro Fino.”

espaço_ouro_fino

espaço_ouro_fino

                        Imaginávamos, naquele momento, que teríamos que buscar um guia que conhecesse bem essa região.

                    No Espaço Ouro Fino, pedimos uma Pizza, especialidade da casa, quando questionei Cleber sobre conversarmos com o dono da pizzaria. Imediatamente ele imaginou aonde eu queria chegar e me respondeu que seria decepcionante receber uma resposta diferente da que gostaríamos de ter.

                        Ao final do jantar, no entanto, solicitamos a presença do proprietário do estabelecimento, o Chef Wellington Matos, nascido e criado na região. Quando perguntei sobre o nome do restaurante, imediatamente começou a relatar a sua história.

                        Wellington nos informou que inicialmente foi morar e trabalhar em Londres em um restaurante, no intuito de conhecer outras culturas e também a gastronomia diversificada. Depois se mudou para Nápoles, onde foi trabalhar como cozinheiro em uma rede de casas de massas e pizzaria, quando teria desenvolvido suas habilidades e decidido voltar a Goiás, para montar um restaurante e pizzaria em uma praça central. A essa altura, já havia definido o nome desse estabelecimento: “Ouro Fino”, nome do antigo arraial extinto.

                        A partir desse momento, ficou muito fácil chegar às ruínas, uma vez que, quando dissemos que iríamos para lá no dia seguinte, ele nos informou toda a rota a ser seguida.

                        Na forma combinada, partimos no dia seguinte por uma estrada de terra em péssimo estado, percorrendo aproximadamente uns seis quilômetros até o Arraial extinto do Ferreiro. Sabíamos  previamente que nada restava nesse arraial, a não ser a Igreja de São João Batista, que teria sido reformada recentemente.

igreja_de_são_joão_batista

igreja_de_são_joão_batista

                        Assim que chegamos ao Ferreiro, estacionamos o carro na frente da cancela de uma fazenda, em uma sombra, e partimos em direção a bela igreja.

                        Construída em 1761 por José Gomes, possui características de um barroco arcaico, como muitas do ciclo do ouro.  Teria sido nesse local que Bartolomeu Bueno haveria encontrado ouro por indicação dos próprios índios Goyás.

                        Todo o ambiente da Igreja encontra-se cercado com moirões recém-colocados, que compõem a obra de restauração, para evitar que animais das fazendas circunvizinhas entrem e venham a esbarrar e destruir o monumento.

igreja_no_arraial_do_ferreiro

igreja_no_arraial_do_ferreiro

                        Aproximamo-nos da soleira da Igreja, momento em que tomamos um susto brutal, quando diversos papagaios ou aratacas saíram em debandada pela porta.  Recompomo-nos do susto e partimos novamente para ultrapassar a porta de entrada do templo, quando novamente ficamos “congelados” ao vermos dois cachorros parecidos com Roithwailer partir em nossa direção.

nave_da_igreja_são_joão_batista

nave_da_igreja_são_joão_batista

                        Passada a sequências de sustos, seguimos para dentro da nave, visitando-a.

capela_são_joão_batista

capela_são_joão_batista

Fizemos o mesmo com a casa paroquial e os anexos da Igreja de São João Batista.  Visitamos, por fim, no ferreiro, o cemitério anexo à Igreja.

cemitério_no_ferreiro

cemitério_no_ferreiro

                        Finalizada essa estada, pegamos novamente o carro e seguimos pela sofrida estrada de terra em busca do Arraial de Ouro Fino, ou aquilo que sobrou de lembrança do Arraial. Padecemos nesse trajeto por aproximadamente uns dez quilômetros, até visualizarmos uma velha cruz, já torta e destruída pelo tempo em um vazio descampado.

cruzeiro_no_ouro_fino

cruzeiro_no_ouro_fino

                    O Arraial de Ouro teve grande importância na região. Localizava-se exatamente na estrada real, ou parte da estrada geral do sertão, caminho único para se atingir Goiás, em um lugar aprazível, região bem mais alta que as demais cidades circunvizinhas. Possui um clima bem mais ameno e, próximo dele, há um córrego de nome Praia, de águas cristalinas e de onde se tirava um ouro de extrema qualidade, motivo inclusive do nome da localidade.

                        Antes de virar ruína, esse arraial possuía o Seminário Episcopal de Santa Cruz, inúmeras casas, sendo aproximadamente quarenta comerciais, além de escolas e a Igreja de Nossa Senhora do Pilar, da qual não sei precisar a data da construção.

                        Assim que chegamos lá, estacionamos o carro exatamente onde teria sido a Rua Direita do arraial e o caminho real. Logo avistamos as ruínas da Igreja do Pilar e a cruz da qual havíamos comentado.

igreja_de_nossa_senhora_do_pilar

igreja_de_nossa_senhora_do_pilar

                        Tiramos fotos de diversos ângulos do que seriam as paredes da torre da nave principal das salas laterais.

ruinas_da_torre_sineira

ruinas_da_torre_sineira

                        Naquele momento, Jaque e Carol subiram sobre alguns alicerces e pequenos amontoados de terra, provocados pelo desmanche causados pelas chuvas nas paredes de adobe de pilão.

                        Seguimos até o fundo da Igreja e a outro cômodo parecido com uma capela ou casa paroquial. 

ruinas_de_ouro_fino

ruinas_de_ouro_fino

  A seu lado, havia os restos das paredes em ruínas do cemitério, e diversos túmulos destruídos.

cemitério_de_ouro_fino

cemitério_de_ouro_fino

                        Dizem os contadores de prosa da região que um daqueles túmulos seria o do “Chico Mineiro”, cantado por Tonico e Tinoco.

tumulo_em_ouro_fino

tumulo_em_ouro_fino

                        Não se pode afirmar a veracidade desse fato sobre Chico Mineiro, mas é contado pelos moradores da região como fato. Dizem que ele  realmente existiu, teria nascido em uma localidade próxima a Patos de Minas e trabalhava com compra e venda de gado.

                        Teria atravessado constantemente esses rincões comprando e levando boiadas nas primeiras décadas do século XX.  E teria sido assassinado no local e enterrado nesse cemitério anexo à Igreja do Pilar.

                        Conseguimos visualizar ainda, em comprido, os alicerces do antigo seminário. 

                        O Arraial de Ouro Fino começou a definhar quando da queda da ponte do Rio Uru, quando da mudança da estrada real para um novo caminho seguindo para Goiás e, por fim, com a mudança da Capital do estado para Goiânia, onde os filhos de Ouro Fino buscaram essa cidade para trabalhar e estudar.

                        A partir da Inauguração de Goiânia, pouco tempo durou o Arraial e as casas abandonadas.

                        Deixamos as lembranças de Ouro Fino no silêncio e na solidão, interrompidas apenas pelo canto dos pássaros, mas extremamente felizes por termos, nessa etapa, visitado todos os primeiros arraiais bandeirantes, que muito contribuíram para a colonização do sertão, bem como para a ampliação de nossas fronteiras além de Tordesilhas.

by

ARRAIAL DA BARRA, em busca dos primórdios de Goiás

Categories: fotostrada, Tags: , , , , , , , , , ,

(por: José Rodolpho Assenço)

                        Arraial da Barra, hoje também conhecido como distrito de Buenolândia, representa o primeiro povoamento colonizador, o marco zero de Goiás, palco da história de Anhanguera, pai e filho.

                        Conhecedor de parte dessa história, busquei arregimentar, junto com o fotógrafo Cleber Medeiros, uma excursão fotográfica com o objetivo de identificar e materializar tudo aquilo que havíamos estudado a respeito. Acompanharam-nos minha filha Carol e Jaque Araújo, esta também fotógrafa.  Escolhemos um final de semana com feriado na segunda-feira, de forma a nos proporcionar o tempo necessário para conhecer não só a Barra, como também os demais arraiais fundados por Anhanguera.

                        Escolhemos o dia seguinte de nossa chegada para seguir para o Arraial da Barra, distante uns cinquenta quilômetros do local onde estávamos, sendo uns vinte deles em estrada de terra de má qualidade.

arraial_da_barra

arraial_da_barra

                        Conta a história que Bartolomeu Bueno da Silva (o pai) em 1684 teria alcançado tal local em uma numerosa bandeira para conhecer o local e capturar índios com fins de escravizá-los. Acompanhava o grupo seu filho de aproximadamente 12 anos.

                        No citado local da foz do Rio Bugres com o Rio Vermelho, teria Bartolomeu encontrado um grupo de índios e, ainda, uma grande pepita de ouro de aluvião do tamanho aproximado de um dedo polegar.  Teria sido nesse local que Bartolomeu Bueno (pai) tocara fogo em uma bandeja de álcool para afugentar o grande número de índios, episódio esse que lhe dera o nome de Anhanguera, algo semelhante a velho que cospe fogo, ou diabo velho.

                        Em 1722, uma grande bandeira foi montada e chefiada pelo seu filho Bartolomeu Bueno da Silva, com a finalidade de atingir e conquistar esse mesmo local, descoberto pelo seu pai. Na investida, participaram alguns milhares de brancos e escravos e, nesse mesmo ano, eles teriam atingido Goiás, porém se perderam, não conseguindo alcançar o mesmo local. E pior ainda, nesse episódio, com a chegada das chuvas, diversos componentes adoeceram, morreram e outra parte dessa tropa teria desertado e voltado a São Paulo.

                        Depois de muitas baixas, no ano seguinte, Anhanguera (filho) atingiu seu objetivo na barra do Rio Bugres e decidiu, antes de retornar com a bandeira, deixar aproximadamente trezentos homens no local, ao qual ele retornou em 1725 e, assim, surgiu o primeiro povoamento de Goiás.

                        Anhanguera edificou uma casa e ordenou também que construíssem uma Igreja nesse primeiro arraial.

marco_zero_de_goiás

marco_zero_de_goiás

                        Retornando a nossa excursão, logo que entramos na Barra, pudemos observar que o local, embora tivesse poucas construções remanescentes do ciclo do ouro, encontra-se bem arborizado, bem cuidado, com uma praça central muito grande que se estende até a Igreja de Nossa Senhora do Rosário, a primeira da região. Nessa obra, aliás, não há registro de data, acredita-se, porém, que sua construção tenha ocorrido aproximadamente em 1730.

igreja_de_nossa_senhora_do_rosário

igreja_de_nossa_senhora_do_rosário

                        Além do conjunto da Igreja, há um cemitério anexo, cercado por um muro branco em adobe com uma porta central com soleira e, bem à frente dessa porta central, uma construção em madeira, que nos remete a algo como um coreto, todavia, sua posição geográfica, diante do conjunto, indica que tal construção servia, ou serve, também como um espaço para velar os mortos.

cemitério_e_igreja_do_rosário

cemitério_e_igreja_do_rosário

                        Logo que chegamos a esse local, iniciamos nossas fotos ao redor Igreja e de todo o conjunto que a compõe, o que inclui também em madeira não trabalhada o conjunto de dois sinos de cobre já bem desgastados pelo tempo. Não conseguimos ler o que nele estavam escrito.

sinos_da_igreja_do_rosário

sinos_da_igreja_do_rosário

                        Fotografávamos a Igreja e seus detalhes quando um jovem veio em uma pequena motocicleta para nos dar uma importante informação, de que a guarda da chave da Igreja estava sob os cuidados da Senhora Luciene, que trabalha e mora em um cartório numa casa ao lado.

nave_da_igreja_do_rosário_no_arraial_da_barra

nave_da_igreja_do_rosário_no_arraial_da_barra

                        Logo a simpática senhora nos abriu a oportunidade de conhecer e fotografar o interior da igreja e também nos contou algumas peculiaridade sobre a edificação, tais como, que suas obras originais entalhadas em madeira, em especial a de Nossa Senhora, estavam em Goiânia; que, com relação a essa santa, naquele local, teria ficado somente uma réplica, isso por alegada medida de segurança; falou rapidamente da última manutenção desse singelo santuário e nos avisou que a Igreja abre oficialmente para uma missa por mês, exceto nos meses de festa da cidade ou de padroeira.

capela_da_igreja_do_rosário

capela_da_igreja_do_rosário

                        Finalizada a visita à Igreja, seguimos para o cemitério, ao lado. Tudo abandonado, com túmulos destruídos.  

cemitério_no_arraial_da_barra

cemitério_no_arraial_da_barra

                        Partimos, em seguida, para fotografar as poucas casas históricas que ainda restam no local, tendo conhecimento, porém, de que, infelizmente, a casa de Bartolomeu Bueno não existia mais, pois veio a ruir há aproximadamente dez anos, estando no local hoje um estábulo e laticínio.

casa_no_arraial_da_barra

casa_no_arraial_da_barra

                        Nessa visita pelas casas, uma delas, com características de construção singela do ciclo do ouro, nos chamou atenção: uma bela casinha amarela, que teria sido a primeira de uma grande loja nacional de departamentos na região.

antiga_loja arraial_da_barra

antiga_loja arraial_da_barra

                        Prosseguimos caminhando no povoado e no outro lado da praça, encontramos a venda de dona Geralda, onde, bebemos um refrigente com um nome esquisito e com o sabar mais esquisito ainda.  Seguimos nossa caminhada de retorno ao carro no intuito de finalizar nossa estada.

buenolândia

buenolândia

                        A essa altura, o calor estava por volta de 40 graus e, como já passava do meio-dia, paramos, por fim, na venda de dona Vaninha para tomar água e comer uma peta, biscoito de povilho comum no interior de Goiás.  A venda possui uma mascote, uma atração especial: o papagaio “Caçula” que gosta de brincar com todos que por ali passam.

1 2