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Monthly Archives: setembro 2015

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Ruínas de São Francisco e o Belvedere – uma praça com muitas lendas

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(por: José Rodolpho Assenço)

                    As Ruínas de São Francisco — ou Ruínas da Igreja inacabada de São Francisco de Paula — estão localizadas na Praça João Cândido, no bairro São Francisco, centro de Curitiba, Paraná. Representam o que restou da igreja de mesmo nome, construída pelos portugueses no ano de 1809.

ruínas_de_são_francisco

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                        Conta a história que essa igreja não foi totalmente edificada devido ao desvio da utilização das pedras para as torres da antiga Igreja Matriz.

                        Hoje, o local das ruínas está cercado com grades, de forma a protegê-lo. Compõe ainda o cenário da Praça João Candido, o Palácio Belvedere ou Palácio art nouveau, um anfiteatro com um prédio anexo com lojas, bares e restaurantes.

anfiteatro_e_shopping

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                        Ao tomar conhecimento desse conjunto histórico da praça João Cândido, meu interesse ficou aguçado pelas inúmeras histórias e lendas que envolvem esse local.

                        As ruínas de São Francisco teriam sido o local onde um famoso pirata teria enterrado um tesouro, e consta que ele volta sempre a esse local, até os dias de hoje, no intuito de amedrontar todo aquele que se aproxime de suas riquezas.  Outra lenda sobre o mesmo local afirma que este teria sido amaldiçoado por um eclesiástico, tendo em vista o desvio feito de material  para outra obra.

vista_das_pedras_das_ruinas_de_são_francisco

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                        Conta-se ainda que debaixo das ruínas de São Francisco existem diversos canais que ligariam esta igreja às demais de Curitiba. Há, na realidade, a confirmação da existência de canais nos subterrâneos do centro da cidade, não podendo, porém, afirmar que ligam o centro às Igrejas e educandários religiosos.

                        Em minha rápida estada em Curitiba, visitei essa praça no intuito de conhecer de perto tais ruínas. Segui para o local depois de algumas compras no centro da cidade, levando apenas uma pequena máquina fotográfica compacta.

                        Assim que cheguei, percebi que as ruínas eram constituídas de um mássico de pedras com arcos. Em alguns deles, pude observar, além de um primeiro pavimento, as molduras do que seriam janelas, em um andar superior.

porta_e_janelas_das_ruínas_de_são_francisco

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Casou-me estranheza, pois sendo a fachada principal, por qual motivo teria essa Igreja arcos tão baixos e tão estreitos?

entrada_em_arcos

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                        Tirei um conjunto de fotos com muita dificuldade, pois minha posição contrariava a posição do sol, o que implicou que algumas fotos ficassem “estouradas de luz”.

ruínas_de_são_francisco_de_paula

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                         Finalizando, segui para fazer um conjunto de foto da praça como um todo, principalmente do belo Palácio Art Nouveau – o Belvedere.

palácio_em_art_nouveau

palácio_em_art_nouveau

                        O Belvedere, assim como as ruínas, também tem suas histórias: construído em 1915 sobre a antiga capela do Alto do São Francisco — levando-se em consideração que toda a praça está em um outeiro —, foi projetado e executado pelo engenheiro e ex-prefeito dessa capital Cândido Ferreira de Abreu, para ser um mirante de toda a cidade, sendo esse outeiro um dos pontos mais altos até então desse núcleo urbano.

mirante_art_nouveau

mirante_art_nouveau

                        Em 1922, virou sede da primeira emissora de rádio do estado, a PRB-2, Rádio Clube Paranaense, que transmitiu até 1931.  Passou, em seguida, a ser um Observatório Astronômico da Faculdade de Engenharia e, em 1962, sede da União Cívica Feminina. Por fim, desde o ano passado, virou sede da Academia Paranaense de Letras.

                        Esse belvedere tem também sua história fantástica, contada pela crença, ou invenção popular.  Conta-se que nesse palácio se podia ouvir a voz de um famoso e antigo locutor da Rádio Clube, e também seus passos pelos corredores.  Essa lenda ganhou fama quando da estada da União Cívica no local.

palácio_belvedere

palácio_belvedere

                        O belo prédio projetado em estilo “art nouveau” tem linhas fantásticas; seu mirante nos remete a antigos prédios de cais de porto, beleza única no centro da cidade que, embora nele ocorram diversas obras de restauração – uma vez que é tombado pelo patrimônio estadual – sofre severamente a ação de vândalos e pichadores que insistem em destruir tão belo patrimônio.

pichações_no_belvedere

pichações_no_belvedere

                        Circulei por todo o prédio, caminhando ainda por toda a praça João Cândido e pude observar a presença de moradores de rua na região, especialmente, de jovens que, sentados na grama, causaram-me a impressão de usarem algum tipo de entorpecente. Lamentável!

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As Cavalhadas de Corumbá de Goiás – Batalha de Mouros e Cristãos

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(por: José Rodolpho Assenço)

                        As Cavalhadas de Corumbá de Goiás fazem parte das comemorações festivas durante a semana de Nossa Senhora da Penha, padroeira dessa cidade e nome de sua Matriz.

cavalhadas_em_corumbá

cavalhadas_em_corumbá

                        Em um sábado, eu, minha filha, os companheiros Cleber Medeiros e Jaque Araújo decidimos aceitar o simpático convite do fotografo Henrique Ferreira para fotografar e cobrir o evento em Corumbá de Goiás, município distante aproximadamente cento e vinte quilômetros de Brasília.

                        Saímos ainda pela manhã e, por volta do meio-dia, passávamos pelo povoamento de Edilândia de Goiás, onde vimos um restaurante de comida caseira dentro de uma fazenda. Como a fome já nos atingia havia algum, tempo, decidimos entrar e conhecer o estabelecimento.

                        Para nossa alegria, pudemos saborear, no local, uma excelente carne de sol, acompanhada de farofa de couve com torresmo — o que fez grande sucesso —, sem contar com uma carne de porco assada na lata, comum no sertão brasileiro.

                        As cavalhadas se resumem numa festa embasada na fé cristã, trazida de Portugal para o Brasil por volta de 1600, mas sua origem remonta a o século XV, quando da expulsão dos árabes da península ibérica (Portugal e Espanha)

                        No século VI, milhares de árabes invadiram a parte sul de Portugal e da Espanha, atravessando, da áfrica, o estreito de Gibraltar e se instalando nessa região.  Ainda no mesmo século, o rei Carlos Magno atravessou os Pirineus e enfrentou os invasores, não tendo obtido, porém, sucesso em sua empreita e, assim, os árabes permaneceram por séculos na península ibérica.

                        Por fim, no século XV, no reinado de Isabel, rainha de Castela e Leão, venceu os árabes, expulsando-os de volta ao norte da África. Passo seguinte, decidiu a citada rainha implantar a fé católica na região, criando, para tanto, uma festividade que pudesse demonstrar a vitória dos católicos sobre os mouros.

                        Voltando a Corumbá de Goiás, essa representação é formada por 24 cavaleiros, sendo 12 mouros e 12 cristãos; os primeiros de camisa e capa de calça vermelha de cetim capacetes dourados e vermelhos; os cristãos, nas cores: azul com adornos semelhantes. Vale salientar que toda a indumentária utilizada na apresentação é confeccionada por exímios artesãos e costureiros locais.

detalhes_dos_cavaleiros_nas_cavalhadas

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                        Cada exército é composto por um rei, um embaixador e dez cavaleiros guerreiros.

                        Assim que entramos na arena ou “cavalhódromo”, como é chamado por alguns, encontramos o fotógrafo Henrique Ferreira, que habilmente, conversando com os organizadores da festa, conseguiu autorização para que fotografássemos tal evento na pista. Obtivemos, ainda, duas vagas em camarote.

                        Posicionamo-nos próximo do centro, sempre perto do gradil e de uma abertura com o intuito de nos defendermos. E começamos a assistir às encenações.

rei_mouro

rei_mouro

                        Inicialmente, os dois exércitos mouros e cristãos, respectivamente, se encontram e cada um tenta convencer o outro a mudar de religião. Por fim, o rei mouro, após insultar o rei cristão, propõe que o impasse seja decido em luta.

cavaleiros_mouros

cavaleiros_mouros

                        Inicia-se então a batalha e, a cada momento em que os cavaleiros galopavam em nossa direção, tínhamos de recolher os equipamentos, juntando-os o mais próximo da grade para evitar algum acidente: que alguma espora dos cavaleiros, ou até mesmo suas armas, por exemplo, viesse a nos atingir.

cavaleiro_cristão_com_garrucha

cavaleiro_cristão_com_garrucha

E as batalhas prosseguiam com lança, com garrucha de dois tiros e com espadas. Fazíamos sempre uma sequência de fotos na pista e corríamos para a grade, a fim de nos protegermos.

tiros_de_garrucha

tiros_de_garrucha

                        No intervalo de cada batalha, a pista é invadida pela figura dos mascarados, uma atração a parte, com roupas coloridas, luvas, botas com decoração e sinos em seus cavalos;

mascarados_sobre_os_cavalos

mascarados_sobre_os_cavalos

com máscaras de cabeça de boi, de homem e de monstros. 

mascarados

mascarados

                        Os mascarados, bastante debochados, contrariando a rigidez dos cavaleiros, fazem todo o tipo de bagunça, sem nunca mostrar o rosto;

detalhes_dos_mascarados

detalhes_dos_mascarados

mudam o tom de voz, emitem grunhidos e gritinhos, enfim, ficam importunando a todos com pequenas lanças, pedindo dinheiro, dançando, pulando e, por fim, fazendo uma grande bagunça.

mascarado_pedindo_dinheiro

mascarado_pedindo_dinheiro

                        Essas figuras galopam pela arena sem sequência alguma; descem dos cavalos para dançar e, alguns, chegam mesmo a dançar em cima do cavalo.

mascarados_em_cima_dos_cavalos

mascarados_em_cima_dos_cavalos

                        E assim prosseguimos nossas fotografias das batalhas e dos mascarados por horas até o cair da noite.

batalha_nas_cavalhadas

batalha_nas_cavalhadas

                        Na saída, buscamos a Jaque e Carol na arquibancada, que nos confessaram querer participar do evento no próximo ano como mascarados.

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