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Monthly Archives: agosto 2015

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CAMPO NOVO, uma serra, um morro, uma gelada

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(por: José Rodolpho Assenço)

                        Campo Novo ou Morro das Torres, topo da Serra Catarinense, é considerado o local de menores temperaturas do território nacional e oferece uma visão que se perde por mais de setenta quilômetros com um cenário de belezas exóticas.

morro_das_torres

morro_das_torres

                        Saí com os meninos (filhos) logo cedo de Lages, Santa Catarina, com o intuito de conhecer o alto da serra, o que seria o local mais frio do Brasil. Já na saída de Lages, deparamo-nos com uma geada que transformava todos os campos em um lençol branco e, nesse cenário, permanecemos em todo o trajeto.  O acesso ao Morro do Campo Novo fica entre Urupema e Rio Rufino. E, para tanto, percorremos algo aproximado a sessenta quilômetros.

                        Com a forte incidência solar e com o passar das horas se aproximando do meio dia, a geada foi se dissipando.

                        No acesso, pegamos uma estrada de saibro e cascalho por aproximadamente um quilômetro e meio até chegar ao topo desse singular morro. Á medida que nos aproximávamos de lá, a mata de pinheiro e demais árvores foram desaparecendo dando lugar a uma vegetação arbustiva.

vegetação_no_morro_do_campo_novo

vegetação_no_morro_do_campo_novo

                        Nesse dia, contávamos com um sol muito forte, o que mantinha a temperatura próxima a zero grau, mas o vento provocava uma sensação um tanto desconfortável.

                        Não tardamos a chegar ao cume e logo estacionamos o carro em um primeiro mirante, onde, imediatamente, descemos para tirar fotos e observar o local. 

mirante_no_campo_novo

mirante_no_campo_novo

Nesse ponto, pode-se ver, logo abaixo, a pequena São Rufino e algumas outras cidades mais distantes.

vista_de_são_rufino

vista_de_são_rufino

                        O Morro da Serra do Campo Novo tem, nesse local está a 1750 metros de altitude e é um dos pontos mais altos do estado, além de ser considerado o local mais frio do Brasil, e está próximo ao circuito da neve de São Joaquim e Urupema. 

vista_da_serra_de_campo_novo

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                        No seu cume de formato quase plano levemente abaulado, possui um quilômetro de comprimento por quinhentos metros de largura. 

planalto_catarinense_visto_do_morro_das_torres

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                        Assim que estacionamos o carro, num segundo momento, próximo às torres de transmissão, tivemos outra grande surpresa: o morro, ao contrário de todos os outros cumes que conheci, é, na verdade, um grande banhado, uma turfeira. Acontece que ali existe o fenômeno do lençol freático que chega a atingir a superfície do terreno. Fiquei pensando como essa água chegaria até ali para transformar o cume em pântano. 

cume_do_morro_das_torres

cume_do_morro_das_torres

          A verdade é que esse admirável fenômeno proporcionou também belas fotos, principalmente da vegetação arbustiva circunvizinha.

                        Junto às torres, uma placa registra as condições severas de clima e a temperatura do local.

placa_no_morro_das_torres

placa_no_morro_das_torres

                        O solo é composto de pequenas pedras e cascalho de origem basáltica repleta de matéria orgânica em decomposição em meio aos alagados, o que provoca a proliferação de gramíneas de coloração verde-clara bastante interessante.  Imediatamente, mesmo diante de todo o frio que estava sentindo, registrei, da melhor forma, essa beleza exótica extraordinária, da qual não tinha conhecimento.

vegetação_e_trufeiras_no_campo_novo

                        Os meninos acharam “o máximo” tamanha aventura. E eu, também feliz com o passeio, mas preocupado com eles, pois a temperatura próxima a zero e o vento cortante exigiam que todos estivéssemos bem agasalhados.

                        Não havia ninguém para nos receber no local, mas encontramos um aventureiro mais acostumado a passar por ali que nos relatou outros fenômenos que acontecem por lá. O primeiro é o congelamento imediato da chuva em alguns momentos quando toca o solo do morro, acontecimento perigosíssimo para quem dirigiria de volta em uma estrada vitrificada com gelo.

campo_novo

campo_novo

                        O outro fenômeno é o nevoeiro congelado, conhecido como “rime”, que traz belíssimos efeitos. Infelizmente — ou felizmente —, na nossa viagem não tivemos a oportunidade de observar esses fenômenos.  Notamos sim, que os alagado estavam quase completamente descongelado nesse dia, ficando apenas pequeninos pedaços de gelo próximos às bordas, provavelmente remanescentes da geada e da noite congelada.

                        No local, fiz registros também das diversas torres em seu cume e de uma visão de todo o topo abaulado.

                        Visitado esse inusitado local, depois de diversas imagens captadas, achei por bem seguir viagem a São Joaquim, no intuito de não mais castigar os jovens com a ventania cortante da serra.

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O Convento de São José em Lages, e a história de Frei Rogério Neuhaus

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(por: José Rodolpho Assenço)

                        O Convento de São José em Lages, Santa Catarina, é um monumento à saga vivida pelos Franciscanos no planalto catarinense, uma região inóspita, onde a rusticidade, a falta de religiosidade, indiferença e a falta de tradição, além da pobreza, criaram um desafio descomunal para esses sacerdotes a época.

convento_de_são_josé

convento_de_são_josé

                        Em visita ao centro de Lage, passeava pelas Igrejas e ruas, quando deparei com a bela visão do conjunto arquitetônico do Convento de São José e seu colégio.  Imediatamente, estacionei o carro e, naquele momento, tinha em mãos  uma máquina fotográfica compacta  com poucos recursos. Era inverno, uma manhã muito fria e o céu todo coberto por serração dificultava ainda mais  bom registro fotográfico.

                        Porém não desistiria de conhecer tão belo prédio composto de capela e colégio, além de um mausoléu anexo.

estatua_e_o_colégio_são_josé

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                        Iniciei registrando a bela estátua de São Francisco em primeiro plano, o que me criou uma confusão quanto ao nome do convento. 

estatua_de_são_francisco_de_assis

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Segui pela lateral, jardins e entrei na capela onde, com muito pouca luz e muita dificuldade, consegui registrar uma imagem da nave dessa Igreja.

capela_de_são_josé_em_lages

capela_de_são_josé_em_lages

                        Retornando ao pátio externo, prossegui registrando uma pequena capela onde uma senhora acendia velas, ora ajoelhava, outra ora em pé a rezar.

capela_e_altar

capela_e_altar

                        Por sorte, pois não havia nenhuma sinalização, descobri, após uma entrada, um mausoléu com capela onde está o corpo de Frei Rogério Neuhaus. 

tumulo_de_frei_rogério_neuhaus

tumulo_de_frei_rogério_neuhaus

  Naquele local, registros em forma de quadro fixado na parede lateral me proporcionaram conhecer um pouco da história do citado frei.

rogério_neuhaus

rogério_neuhaus

                        Minha curiosidade ficou extremamente aguçada, o que me levou a pesquisar no dia seguinte a história do  Sr. Neuhaus.

                        Seu nome era Henrique Neuhaus, nascido em Borken, Alemanha, em 1863.  Em 1881, recebeu o nome de Frei Rogério, desembarcou em 1891 em Salvador, de onde, imediatamente, seguiu rumo a Santa Catarina.  Em 1892, foi enviado a Lages, onde, por muitos anos, seria sua área de atuação, ou seja, no planalto catarinense.

                        Disse Frei Rogério ao chegar a Lages: “A cidadezinha tinha uns mil habitantes e como não houvesse nenhuma boa estrada, poucos tinham contato com o litoral.”  Nesse habitat, o Frei tornou-se o “Apóstolo do Planalto Catarinense”.

                        Frei Rogério Neuhaus passou, por trinta anos, nos estados do Paraná e Santa Catarina. Nesta última, grande parte na região de Lages.  Atravessava essas paragens em viagens sobre o lombo de mula por dias e semanas, com riscos enormes, como o de ser atacado por bugres ou por invasores espanhóis. Caiu enfermo, por diversas vezes, em meio ao frio intenso da serra catarinense.

                        Em um episódio, Frei Rogério sofreu com inúmeros fanáticos nos anos de 1912 a 1916,  chefiados por um falso monge José Maria de Santo Agostinho, que, na verdade, era Miguel Lucena de Boaventura, um desertor do exército, procurado pela polícia do Paraná.   A atuação de Frei Rogério  foi inútil, capítulo da história que resultou na Guerra do Contestado.

                        Seguiu o Frei sua atuação também no Planalto paranaense quando, em 1922, descobriu que estava perdendo a visão.  Diante da gravidade, procurou recursos em São Paulo e, por fim, no Rio de Janeiro para onde se mudou definitivamente.

                        Mesmo sem visão, prosseguiu seu trabalho no Rio, com resultados surpreendentes, prestando socorro aos carentes, visitando doentes, hospitais, asilos e casas de caridade. 

                        Em 1934,  ainda trabalhando, Frei Rogério foi internado na Casa de Saúde São José com câncer generalizado, vindo a falecer no mesmo ano.

conjunto_de_salas_do_colegio_são_josé

conjunto_de_salas_do_colegio_são_josé

                        Após visitar o local e, na sequência, conhecer a trajetória do Frei Rogério Neuhaus, uma parte da historia dos Franciscanos no Brasil, e em especial no planalto catarinense, reforçou minha conclusão de que devemos tomar cuidados com todos os detalhes daquilo que conhecemos.

predio_da_capela

predio_da_capela

  Poderia muito bem ter fotografado e conhecido aquela bela edificação sem ter me atido a detalhes históricos que ampliam o nosso conhecimento.

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