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Monthly Archives: julho 2015

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Consolação, uma Vila na Encosta da Serra Catarinense

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(por: José Rodolpho Assenço)                  

                        Consolação, pequenina vila da Serra Catarinense, foi por mim descoberta por acaso.  Seguíamos eu e os meninos pela BR 282, em direção a Uribici, quando achei por bem ativar o GPS no intuito de facilitar minha localização quanto ao acesso para a referida cidade.

Igreja_de_Nossa_Senhora_da_Consolação

Igreja_de_Nossa_Senhora_da_Consolação

                        Passamos por dentro de São Rufino e, aos poucos, percebemos que a cidade logo acabaria em uma estrada de terra. Parei o carro ainda no asfalto e obtive, na internet, a informação que Urubici estaria a trinta quilômetros de distância, sendo todo o percurso em estrada sem pavimentação.

                        Logo me aborreci com o GPS, pois tinha conhecimento de outro acesso pelo asfalto, porém, por já ter dirigido alguns bons quilômetros na BR, decidi prosseguir pela terra. No inicio deste trajeto, pareceu-me bem confortável, toda cascalhada ou britada e que nos permitiria um bom rendimento.

estrada_para_urubici

estrada_para_urubici

                        Porém essa condição logo acabou e partimos por uma simples estrada de terra.  A média de velocidade nessa via não ultrapassava 30 quilômetros por hora, o que provoca uma sensação de que não se consegue vencer as distancias nesse ritmo.  No entanto, aproveitamos para apreciar a paisagem, as fazendas às margens da estrada, as florestas de araucária. Não era um dia muito frio e a sensação térmica nos permitia viajar com as janelas do veículo parcialmente abertas.

estrada_de_são_rufino_a_urubici

estrada_de_são_rufino_a_urubici

                        Toda a estrada segue pela encosta da serra, proporcionando, ocasionalmente, paisagens bem interessantes.

                        Após pouco mais de quinze quilômetros percorridos em aproximadamente uns quarenta minutos, percebemos algumas casas aglomeradas logo à frente e, depois de uma curva, vi um pequeno cemitério com diversos jazigos. À sua frente, uma imponente igreja e diversas casas.

estrada_e_cemitério

estrada_e_cemitério

                        Entre todas as casas, a maior e a mais bela fica bem de frente da Igreja e sugeria ser uma agradável lanchonete. Parei nesse local no intuito de descansar e servir um lanche aos meninos. Estávamos no meio do trajeto.

lanchonete_em_consolação

lanchonete_em_consolação

                        Casa bem arrumada com uma lanchonete bem montada. Logo uma simpática senhora nos perguntou o que queríamos. Pedi água e café. Ofereci, naquele momento, lanche para os meninos. Na sequência, perguntei  o nome daquele lugar.

                        Assim, conheci Consolação, uma simpática vila na encosta da serra, logo abaixo de uma floresta de araucárias com uma população que ultrapassa, em pouco, trezentos habitantes. Esse local pertence ao município de Urubici (SC).

casas_em_consolação

casas_em_consolação

                        Estando os jovens confortáveis no estabelecimento, voltei ao carro, peguei minha máquina fotográfica e comecei a registrar tudo aquilo que via naquele pequeno povoamento. 

igreja_da_consolação

igreja_da_consolação

  A Igreja de Nossa Senhora da Consolação construída em 1938, em especial, pela sua dimensão, imponente e dominando todo o visual da vila.

registro_da_igreja_de_n._s._consolação

registro_da_igreja_de_n._s._consolação

                        Fiz registro também de diversas casas e do intrigante cemitério com diversos jazigos.

cemitério

cemitério

                        Após as imagens da Igreja, prossegui fotografando uma pequena casa anexa, próxima ao crucifixo, e, em seguida, a parada de ônibus e a saída da comunidade.

anexo_da_igreja_de_nossa_senhora_da_consolação

anexo_da_igreja_de_nossa_senhora_da_consolação

                        Retornando à lanchonete, pensando que, não fosse pela bela lanchonete e pela imponência da Igreja de N.S. da Consolação, provavelmente, passaria pela estrada sem parar na pequena vila, perdendo, assim, a oportunidade de conhecer um simpático e intrigante lugar.

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URUPEMA e a Cachoeira que Congela

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(por: José Rodolpho Assenço)

                        Urupema é uma pequena cidade no alto da Serra Catarinense, provavelmente a única que apresenta incidência de geadas em todos os meses do ano, com frequente queda de neve de maio a setembro.

                        Quando em minha peregrinação acompanhado das crianças (joão Guilherme e João Victor), pela Serra Catarinense, tive a oportunidade de refrescar minha memória no tocante a existência desse local. Contou-me um senhor que a cidade São Joaquim é famosa pela neve e por ser uma cidade maior, porém a mais fria do Brasil e com a menor sensação térmica seria Urupema.

                        Estávamos nessa empreitada justamente em busca do desconhecido — ou pouco conhecido — e percebemos que uma oportunidade como essa não poderíamos desperdiçar.   Logo à noite, comuniquei aos meninos nossa tarefa para o dia seguinte: um percurso de aproximadamente setenta quilômetros, por uma estrada bastante sinuosa até a pequena Urupema, bela cidade,  e a mais fria do Brasil.

vista_de_urupema

vista_de_urupema

                        Saímos cedo, logo após o café no intuito de passar todo o dia tentando conhecer as belezas naturais do local.

                        Urupema, que possui hoje 2.500 habitantes, surgiu devido à fartura de Pinheiro-do-Paraná, a araucária brasiliense, ou araucária angustifólia, o que fornecia madeira, lenha e alimento em grande quantidade. A economia da cidade, por muitos anos, esteve atrelada à extração dessa madeira.

casa_de_madeira_em_urupema

casa_de_madeira_em_urupema

                        Em uma pequena planície cercada de serras, com uma altitude de 1430 metros acima do nível do mar, com temperaturas mínimas, planuras essas que são coincidentemente as mais baixas do pais, com média anual de 12 graus, nos meses de outono e, no inverno, sua máxima, mesmo durante o dia, raramente ultrapassa os 5 graus.

igreja_matriz_de_santa'anna_em_urupema

igreja_matriz_de_santa’anna_em_urupema

                        Assim que chegamos à pequena cidade, estávamos com o carro fechado e climatizado. Logo procuramos a praça central e a Igreja, onde estacionamos próximo dela.  Estávamos todos com casaco, cachecol e gorro. Foi nessa oportunidade que peguei minha máquina fotográfica para iniciar a visita pela Igreja e, em seguida, percorrer a praça e a cidade.

                        Subimos a escadaria da Igreja Matriz de Santa’Anna. O vento era cortante e a temperatura deveria estar abaixo de zero. As crianças se divertiam com a sensação térmica do local.  Naquele momento, ao mesmo tempo em que queria tirar fotos, inclusive da Matriz, preocupava-me com o conforto dos meninos e, assim, me dispersei quanto aos detalhes da Igreja, apenas registrei algumas fotos.

praça_da_igreja_matriz_em_urupema

praça_da_igreja_matriz_em_urupema

                        Para nossa surpresa, fazia semelhante frio no interior da igreja, pois suas janelas abertas não impediam a ação do vento que nos castigava bastante.

                        Instantes depois, saímos de lá para passear pela praça. O frio, naquele momento, algo em torno de 10 horas da manha, era tão intenso que convidei os que me acompanhavam a retornar ao carro, o que fizemos de imediato para buscar mais cachecol e luvas, tentando nos equipar melhor e, assim, seguimos para a visita à praça.

casa_em_urupema

casa_em_urupema

                        Havia no local um jovem casal que também visitava a cidade, porém, não resistindo à ação do vento, desistiram desse intento.

urupema

urupema

                        Após essas visitas iniciais, seguimos pelas principais ruas da cidade. Esta parecia quase deserta, poucas lojas abertas.

avenida_principal_em_urupema

avenida_principal_em_urupema

Pude observar a existência de dois hotéis, padaria e dois outros restaurantes, nada mais.

urupema

urupema

                        Logo encontrei com um nativo que me falou sobre a serra e principalmente de que deveria visitar a Cachoeira que congela, distante poucos quilômetros da cidade.  Após esse comentário sobre a cachoeira, os moleques estavam aguçados para conhecer tão diferente corredeira; riam bastante, pois nunca foram a uma cidade com uma cachoeira desse tipo.

                        Seguimos pela estrada e logo chegamos à entrada de terra que segue mais uns dois quilômetros até a cachoeira.

estrada_para_cachoeira_que_congela

estrada_para_cachoeira_que_congela

Paramos o carro e, novamente, enrolados em cachecóis e toca, embrenhamos pela mata em uma trilha bem feita, que não muito distante, nos levou à cachoeira.

                        Logo na entrada da trilha, existe uma placa dando informações sobre ela, que costuma congelar nos dias mais frios, onde a temperatura local fica normalmente por volta de cinco graus negativos. Sua altitude em relação ao nível do mar é de 1580 metros.

placa_na_cachoeira_que_congela

placa_na_cachoeira_que_congela

 

                        A cachoeira fica à sombra da serra e com uma mata exuberante, o que dificulta a ação do sol e, por esse motivo, somado ao frio intenso, ela congela realmente, chegando a ficar nessa condição por dias. Mais uma vez os meninos acharam o máximo as fotos da cachoeira congelada.

                        Na cachoeira, no exato momento em que estivemos, não estava congelada. Fiquei muito atento para que nenhum dos meninos viesse a molhar o pé ou o calçado, o que aumentaria muito a sensação de frio e causaria incômodo no nosso retorno.

cachoeira_que_congela

cachoeira_que_congela

 

                        Mais uma vez, o vento apertou bastante e decidimos retornar pela trilha até o carro.  Voltamos a Urupema, passamos pela praça central e percebemos que uma emissora de televisão do estado fazia uma reportagem no referido local.

                        Logo mais à noite, tomamos conhecimento, em jornal de rede nacional, que, naquela manhã, em Urupema, a temperatura estava abaixo de zero e com sensação térmica de menos dezenove graus.

 

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