Monthly Archives: maio 2015

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Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos

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(por: José Rodolpho Assenço)

                        A Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, cuja capela inicial remete a 1713, quando da fundação da Irmandade de mesmo nome na Barra de Sabará, Minas Gerais, apesar de ser um templo inacabado, é de grande beleza e tem em sua nave, próximo ao altar principal, a capela da qual se originou.

igreja_do_rosário_dos_homens_pretos

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                        Sua construção, provavelmente, ocorreu entre os anos de 1767 e 1878. Nunca foi finalizada, tendo sido um de seus primeiros obstáculos as dificuldades financeiras da Irmandade dos Homens Pretos. Ocorreram, posteriormente, diversas tentativas para a conclusão, porém todas sem êxito. Até que perdeu sua finalidade devido ao advento da abolição da escravatura.

                        Monumento tombado pelo patrimônio histórico nacional em 1938, tem como atração o grande paredão de pedra na qual foi construída, bem como uma fachada imponente situada em um pequeno aterro, em uma simpática praça dessa histórica cidade mineira.

igreja_do_rosário_em_sabará

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                        Possui a capela-mor duas sacristias laterais, portão principal de grande porte, diversas janelas superiores. Excetuando-se a capela-mor, as demais partes não foram concluídas.

detalhes_das_janelas_da_igreja_do_rosário

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                        No verão passado, quando de minha visita a Sabará, não hesitei em dispensar alguns minutos visitando essa imponente obra, situada em um desnível, aclive no qual compõe toda a praça.  Diversos prédios históricos também fazem parte do cenário da referida praça, que tem em sua parte superior o aterro murado e branco da base da Igreja.

rua_em_sabará

rua_em_sabará

 

                        Logo que me aproximei de sua muralha, fiquei observando as inúmeras pedras encaixadas cuidadosamente que, em tonalidades diferentes, compõem, por si só, uma bela moldura. 

entrada_principal_da_iagreja_do_rosário

entrada_principal_da_iagreja_do_rosário

 

 

Tomando o cuidado de fotografar suas portas e janelas, murais e demais detalhes, procurei logo a parte interna, onde se localiza a pequena capela, tendo nas muralhas a sua volta uma visão análoga a uma fortaleza.

capela_do_rosário

capela_do_rosário

 

                        Pude realizar diversas fotos, mesmo tendo sido prejudicado, em alguns casos, pelo forte sol, frontal, de verão em um final de tarde que entrava inclinado pelas portas e janelas. 

porta_lateral_e_janelas

porta_lateral_e_janelas

 

                        À medida que eu ia visitando e registrando esse monumento, pensava justamente no sacrifício realizado pela Irmandade dos Homens Pretos que, apesar das parcas condições financeiras, realizaram tal façanha.  Pensava também que todo esse sacrifício teria sido em vão, uma vez que, a partir das leis abolicionistas, como a do Ventre Livre, sua finalidade em atender essa comunidade ia perdendo o valor.

visão interna da igreja do rosário

visão interna da igreja do rosário

 

                      Considerei que, a partir de um determinado momento, levando em consideração o grande número de negros forros, poderiam esses frequentar qualquer outra paróquia que achasse conveniente.

praça_da_igreja_do_rosário

praça_da_igreja_do_rosário

 

                        Ao finalizar a visita à Igreja do Rosário, permaneci no aterro em frente à praça realizando algumas imagens ao seu redor — suas ruas laterais — e, por fim, satisfeito com o que vi, busquei novamente a estrada no sentido de Belo Horizonte.

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TRÊS MARIAS, o Rio, a Represa e a Lenda

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(por: José Rodolpho Assenço)

                       Três Marias, cidade mineira às margens do Rio São Francisco e banhada pela imensa represa de mesmo nome, esconde histórias intrigantes e possui uma beleza interiorana única.  Ressalte-se que sua represa, de grande proporção, banha inúmeros municípios da região central de Minas Gerais.

o_cerrado_e_a_represa_de_três_marias

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                        Diz uma lenda que, nos caminhos que cruzavam os sertões, nas proximidades da localidade de Barreiro Grande e às margens de uma cachoeira do rio, havia uma família que teria montado uma hospedaria para o descanso das caravanas e dos tropeiros. Após a morte dos pais, as três filhas, todas chamadas Marias, continuaram com a hospedaria naquele local. Devido a grande procura — todos tinham, obrigatoriamente, que parar, se hospedar ou se alimentar no referido lugar —, tal pousada ficou sendo chamado de “Hospedaria das Três Marias.

                        As jovens gostavam muito de nadar e ficavam horas e horas — ou dentro do rio ou tomando sol em uma das pedras próximas à pequena queda d’agua, onde elas relaxavam sempre ao final da tarde.  Porém, em determinado dia, uma forte enchente que rompeu das cabeceiras dos rios, desceu violentamente carregando árvores, plantações, barcos e tudo que estava à a sua margem.         As jovens até que tentaram se salvar, mas sem êxito, foram levadas pela correnteza, em redemoinho, para o fundo do rio.

pedras_de_três_marias

pedras_de_três_marias

 

                        Sabe-se, porém, que o pequeno povoamento de Barreiro Grande cresceu a partir de 1957 quando o então presidente Juscelino Kubitschek iniciou os trabalhos de construção da imensa represa e de sua usina hidroelétrica.

                       O objetivo era melhorar a navegabilidade do rio e a utilização do potencial hidrelétrico em um projeto, para a época, ambicioso, pois seria uma das maiores barragens do mundo, e sua operação aconteceu em janeiro de 1961.

                        Hoje, infelizmente, em segundo plano do cenário energético brasileiro, tanto pelo baixo volume de energia em proporção à imensa área inundada, como pelo fato de a construção não ter observado aspectos de desmatamento da área inundada, o que resultou na produção de gases CO2 em grande nível, semelhante ao de uma usina termoelétrica.

                        Em visita a essa região com meu amigo Humberto Neiva e meus dois filhos, decidimos conhecer o rio, a Usina e a Barragem de Três Marias.

são_francisco_em_três_marias

são_francisco_em_três_marias

 

                        Iniciamos nosso passeio pelo município vizinho de São Gonçalo do Abaeté — que possui um distrito, um arraial de pescadores e de pousadas bem à margem da rodovia — banhado pelo rio São Francisco, distante somente uns quatro quilômetros da cidade de Três Marias.  Paramos no local, em um restaurante do qual já havia estado com esse amigo seis anos passados.

barcos_e_a_ponte_do_são_francisco

barcos_e_a_ponte_do_são_francisco

 

                        Procuramos alguns barqueiros e canoeiros da localidade e não demoramos a acertar um passeio até o pé da barragem e da Usina.

                        Passamos, inicialmente, pela ponte sobre o Rio São Francisco, ponte essa que, por inúmeras vezes, tanto de dia como também na madrugada, atravessei anos e anos sempre seguindo em direção ao Rio de Janeiro ou Belo Horizonte.   E ficamos a observá-la até o momento em que a perdemos de vista em uma curva do rio.

ponte_sob_o_rio_são_francisco

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                        Logo em seguida, percebemos que nos aproximávamos da represa, pois já era possível ver a imensa barreira de terra à frente. 

represa_de_três_marias

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Em seguida e após a próxima curva do rio, descortinou a usina hidroelétrica de Três Marias para onde nos dirigíamos, inicialmente, ao grande canal vertedouro, usado especialmente quando os níveis de água ultrapassam a capacidade de eliminação de suas turbinas produtoras de energia. 

vertedouro

vertedouro

 

                      Ao chegarmos à usina, logo observamos uma sede em pavimento térreo com diversos escritórios e, a seu lado, a usina propriamente dita.      

usina_de_três_marias

usina_de_três_marias

 

    Nosso barqueiro, José, aproximou a embarcação do paredão de concreto, a distancia tão pequena que poderíamos tocá-lo.  Mas evitei tal façanha e permaneci cuidando de meus filhos, pois as águas que passavam pela turbina subiam formando redemoinhos e, por alguns momentos, pareciam querer jogar a pequena embarcação contra o paredão. 

turbinas_da_usina

turbinas_da_usina

 

                        Naquela ocasião, fotografei inúmeras andorinhas que aproveitavam desse recuo no paredão de concreto para fazer seus ninhos ou simplesmente descansar.

andorinhas_na_represa

andorinhas_na_represa

 

                        Logo o barqueiro afastou um pouco para sair do turbilhonamento, o que me causou mais tranquilidade.

hidroelétrica_de_três_marias

hidroelétrica_de_três_marias

 

  Ele desligou o motor, e pudemos descer o rio por aproximadamente um quilômetro na correnteza, vendo toda a usina e a represa se distanciar.

usina_de_três_marias

usina_de_três_marias

 

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