Monthly Archives: fevereiro 2015

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GUAICUÍ, porta de entrada para o sertão

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(por: José Rodolpho Assenço)

                       Guaicuí, hoje Barra de Guaicuí do Município de Várzea do Palma, em Minas Gerais, é um lugar fantástico, envolvido em inúmeros mistérios, mortes e muita ganância. Esse ambiente místico é um dos primeiros povoamentos no sertão mineiro, na região do cerrado.

                        Inicialmente, foi ocupada pelos índios Cariris, que teriam migrado do nordeste; foi também habitada por uma missão jesuíta em meados do século XVII. 

                        Localizada, estrategicamente, às margens do Rio São Francisco, exatamente na foz do Rio das Velhas, foi conquistada pelo destemido, porém já idoso, bandeirante Fernão Dias Paes Leme, que, além de “peador” de índios para vendê-los como escravo, buscava, incessantemente, esmeraldas. Segundo a lenda, elas se escondiam na Serra encantada de Sabarabuçu, serra essa que ele nunca encontrou.

                        Não se sabe ao certo quem iniciou a imponente construção da Igreja de Pedra, ou melhor, a Igreja do Senhor de Bom Jesus do Matozinhos, exatamente na foz desse rio. Se, foi o intrépido bandeirante ou a missão jesuítica. De toda forma, essa obra está datada de 1660 a 1679 e foi construída em pedras argamassa de cal e óleo de peixe, entretanto, na realidade, ela nunca foi finalizada.

igreja_de_bom_jesus_de_matozinhos

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                        Enfim, a região foi ocupada pela bandeira de Fernão Dias Paes Leme, que era chefiada por Manuel de Borba Gato, acompanhados de inúmeros sertanistas, caçadores de índios e de esmeralda e ali se instalaram e teriam construído essa bela edificação.  

                        Devido porem, a insalubridade do local, castigado pelas constantes enchentes do Rio das Velhas, acompanhadas de febres e doenças, acometendo diversos deles, inclusive Fernão Dias, que morreu no local e foi enterrado debaixo de uma pedra, próxima à Igreja de pedra.

bom_jesus_de_matozinhos

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Incumbiu o bandeirante em seu leito de morte seu filho Garcia Rodrigues, de voltar a São Paulo e entregar as esmeraldas ali encontradas ao governo.

                        Diante de inúmeras enfermidades e febres, mudaram, em seguida, o arraial para um local mais seco e acima de um morrote, a aproximadamente quatro quilômetros e onde hoje é a vila de Porteiras; construíram ali suas casas e a Igreja de Nossa Senhora de Bom Sucesso, ficando Guaicuí e a Igreja de Bom Jesus de Matozinhos abandonadas.

                        Porteiras, ao final do século XIX, teve sua decadência e, por fim, a Igreja de Nossa Senhora de Bom Sucesso veio a ruir.

igreja_em_porteiras

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                        Estive em Guaicuí acompanhado de meus filhos. Além de conhecer pouco essa história, já havia encontrado essa Igreja em 1999, quando de minha ida até Montes Claros, momento em que a descoberta foi por acaso.

nave_da_igreja_de_pedra_em_guaicuí

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Porém, nessa última nova estada, me impressionei com a imensa gameleira que há mais de cinqüenta anos, nasceu sobre as paredes da Igreja de Bom Jesus de Matozinhos, com imensa copa e com centenas de raízes que criam uma mistura única, um monumento da força da obra do homem e da natureza.

gameleira_na_parede_da_igreja

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                        Percebi na construção uma sensação de que a Igreja vigia o Rio São Francisco, que se encontra a poucos metros a sua frente.

rio_são_francisco_visto_da_igreja_em_guaicuí

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Impressionou-me como essa obra inacabada conseguiu resistir por tanto tempo e a tantas enchentes, sendo o único resquício da antiga vila de Guaicuí.

paredes_da_igreja_de_guaicuí

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                        As enchentes continuam até hoje, tendo registro da grande última em janeiro de 2012.

                        Cansados de analisar esse belo monumento da chegada dos bandeirantes colonizadores ao sertão, seguimos em direção ao povoamento de Porteira, para fotografar a Igreja de Nossa Senhora do Bom Sucesso.

cemitério_e_igreja_em_porteiras

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                        Parei o carro e, em seguida, eu e meus filhos descemos, e passamos próximo a um cemitério abandonado, que foi construído ao redor da antiga Igreja; observamos suas ruínas, em especial da única fachada que resta e a qual também tem sua peculiaridade, uma vez que diversos cactos cresceram dentro dessas paredes.

fachada_da_igreja_de_nossa_senhora_do_bomsucesso

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                        Evitamos, porém, nos aproximar muito, uma vez  que aquele local estava com diversos ninhos de marimbondos.

                        Retornamos a Guaicuí no intuito de conhecer a nova Igreja de Bom Jesus de Matozinhos, obra do início do século XX, pequena igreja com uma torre em madeira segurando um belo sino.

igreja_nova_de_guaicuí

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                        Na nova Igreja, tivemos ainda a oportunidade de conhecer a praça principal de Guaicuí, onde vemos o busto do bandeirante Fernão Dias Paes Leme, fundador desse local.

praça_em_guaicuí

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                        Ao finalizar essa visita, meus filhos ficaram bastante agradecidos pelo inusitado passeio com uma viagem tão intensa sobre a história do alto sertão mineiro.

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PIRAPORA, a Cachoeira onde o peixe salta

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(por: José Rodolpho Assenço)

                        Pirapora, palavra que vem do Tupi, significa o peixe que pula, é uma agradável cidade no noroeste de Minas Gerais e importante pólo do médio e alto São Francisco.

                        Sua história está intimamente ligada aos índios Cariris. Conta-se que teriam subido o rio até atingir as cachoeiras, afugentados pelos portugueses quando da colonização e exploração da costa brasileira.  O fato é que teria realmente existido uma grande tribo de Cariris, cuja aldeia situava-se exatamente onde é hoje Pirapora, bem à frente das cachoeiras do grande rio.

cachoeiras_do_são_francisco

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                        O rio da integração nacional foi por muitos anos o grande meio de escoamento dos produtos do sertão, bem como a principal artéria por onde subiam as mercadorias e mantimentos do litoral, trazia-se inclusive sal e calcário para lavouras e pecuária. Nesse contexto, Pirapora foi por muitos anos o ponto final dessa hidrovia.

porto_de_pirapora

porto_de_pirapora

 

                        Aproximadamente em 1670, os bandeirantes Soliros e Salmeron, vindos do Rio das Velhas, desde as proximidades das minas de Sabará, teriam subido o São Francisco até as cachoeiras do Pirapora, local onde supostamente foram atacados pelos índios Cariris, sofrendo diversas baixas.

cachoeiras_e_praias_no_são_francisco

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                        Pirapora, em meados do século XIX, possuía aproximadamente 40 casas, ocupadas por pescadores e carregadores. E, no final desse século, com a chegada dos vapores vindos desde Juazeiro, a vila e a região viveram momentos de grande desenvolvimento.

                        Recentemente, estive acompanhado dos meus filhos a essa agradável cidade, no auge da crise hídrica sofrida esse ano na região sudeste, momento em que a represa de Três Marias liberava pequena quantidade de água rio abaixo, e percebemos na população local a preocupação com o futuro do rio São Francisco.  Mesmo sendo a crise uma questão séria, ela nos proporcionou uns bons dois dias de praia em Pirapora, onde pudemos desfrutar de um refrescante banho no Velho Chico.

praia_no_são_francisco

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                        Em Pirapora, tentei registrar algumas peculiaridades do local bem como de sua pequena e agradável orla.

orla_de_pirapora

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                        Tivemos momentos agradabilíssimos, desfrutando de um prato muito apreciado no alto São Francisco, o Surubim na brasa, acompanhado de pirão, molho e arroz com ervas. Percorremos, ainda, os bares da orla e apreciamos o movimento noturno da pequena cidade.

praça_são_francisco

praça_são_francisco

 

                        Estivemos nas principais praças, ruas e avenidas e, na última tarde dessa estada em Pirapora, fiz questão de levar meus filhos para conhecer o porto e o vapor Benjamim Guimarães, que é o único à lenha  de roda d’água em funcionamento no mundo.

                        Logo que chegamos próximo ao local, um grande galpão da Cia. de Navegação já denunciava que estávamos no porto de Pirapora.  Ao largarmos o carro, passamos inicialmente por um modelo em terra firme que explicava o funcionamento de um vapor.

modelo_da_maquina_a_vapor

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                        Prosseguindo barranco abaixo, chegamos à beira do rio, bem de frente ao belíssimo vapor.  Registrei inúmeras fotos, inclusive com meus filhos.

vapor_benjamim_guimarães

vapor_benjamim_guimarães

 

                        Construída em 1913, nos Estados Unidos, o vapor Benjamim Guimarães navegou por uma centena de anos nesse belo rio. Hoje, carrega a Sinfonia do Velho Chico, com músicos da orquestra local, tocando músicas nacionais e internacionais, em um passeio de aproximadamente três horas, nos finais de semana, repleto de turistas.

                        Concluindo nossa visita à cidade ribeirinha, decidimos atravessar a Ponte Marechal Hermes.  Estruturada em ferro e construída com tecnologia e material importado da Inglaterra, ela foi inaugurada em 1922, e fazia parte de um grande projeto de se estender à Estrada de Ferro Central do Brasil, atravessando todo o país até o Pará.

ponte_marechal_hermes

ponte_marechal_hermes

 

                        É, sem dúvida, um belo cartão postal de Pirapora. Com oito metros de largura e setecentos metros de comprimento, possui em seu centro a linha da estrada de ferro e ao lado uma passarela que é utilizada tanto para pedestres como para transporte em pequenos veículos e bicicletas.

passarela_da_ponte_marechal_hermes

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                        Segui com meus filhos até o centro da ponte, não concluindo, porém, a travessia até a cidade vizinha de Buritizeiros, pois não vi naquele momento necessidade, mas pude registrar belas imagens da composição de sua estrutura em ferro e, evidentemente, do Rio São Francisco.

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