(por: José Rodolpho Assenço)

                        O Alto do Moura, bairro distante sete quilômetros de Caruaru, no agreste pernambucano, guarda um artesanato único e que colocou o Brasil em posição de destaque internacional na arte figurativa, retratando personagens e passagens do sertão nordestino.

SAM_5295

senhora_na_maquina_de_escrever

                        Saindo do centro de Caruaru, importante polo de moda e confecção, seguimos em direção ao Alto do Moura, local esse que, na verdade, mais parece uma pequenina cidade do sertão do que propriamente um bairro. Logo alcançamos um portal que informa da importância desse polo de artesanato, destacando como o maior em arte figurativa das américas.

portal do alto do moura

portal do alto do moura

                        Entramos na cidadezinha, eu e minha namorada, e logo nos deparamos com diversos bares e restaurantes de comidas típicas nordestinas, especialmente as ligadas à tradição do sertão, com destaque para o Bode, grande fonte de proteína.

                        Em seguida, visitamos diversas lojas de artesanatos que vendem, além de inúmeras figuras sertanejas, algumas decorativas, como vasos e enfeites.

figuras_e_enfeites

figuras_e_enfeites

                        Sabe-se que o início de tanta tradição em artesanato daquele local veio com o Mestre Vitalino — nascido no começo do século passado — que produzia e vendia suas estátuas na feira de Caruaru. Utilizava o jovem mestre sobras do barro dos trabalhos de cerâmica feitos por sua mãe. Ressalte-se que esses trabalhos, depois de moldados, ainda eram levados ao forno por aproximadamente oito horas.

                        Visitamos o Museu do Mestre Vitalino, pequena casa de taipa erguida pelo próprio mestre, com um singelo jardim a sua frente. Essa casa, com pequeninos quartos, guarda os objetos pessoais e mobiliários do Mestre. O que mais nos impressionou, no entanto, foi a cozinha minúscula e o fogão de lenha.

museu_e_casa_do_mestre_vitalino

museu_e_casa_do_mestre_vitalino

                        Logo atrás da casa, podemos observar o forno onde o mestre desenvolvia seus trabalhos.

forno_do_mestre_vitalino

forno_do_mestre_vitalino

                        Depois dessa visita, seguimos para o Atelier do Mestre Luiz Galdino, onde também ficamos impressionados com a beleza das figuras produzidas por esse ceramista. Algumas em tamanho de um ser humano, logo a frente da loja ateliê; e diversas outras, como algumas “namoradeiras”, tudo de beleza indescritível.

espaço_cultural_luiz_galdino

espaço_cultural_luiz_galdino

                        As cores fortes de todas as figuras lembram sempre as da bandeira de Pernambuco. Aliás, muitas imagens aproximam-se daquelas produzidas no vale do Jequitinhonha.

vasos_decorados

vasos_decorados

 

Vimos ali diversos vasos, jarros e uma infinidade de produtos produzidos em barro. Não nos esquecemos, logicamente, de observar atentamente as panelas de barro muito utilizadas nas peixadas e moquecas.

figuras_do_sertão

figuras_do_sertão

                        Prosseguimos por toda rua, visitando diversas lojas de artesanato. As cores fortes sempre se repetiam. Algumas figuras diferentes, imaginárias ou fantasmagóricas, faziam parte também desse conjunto de obras.

trio_do_forró

trio_do_forró

                        Ao final da rua, chegamos ao memorial do Mestre Galdino, onde diversas figuras bizarras retratam o trabalho e a maestria desse artista do sertão. Bem montado, o memorial apresentava também um retrato do mestre e sua esposa em tamanho natural, sentados em suas cadeiras, tudo feito em barro.

                        Destacamos também as inúmeras figuras de tamanho natural, como as senhoras em sua máquina de costura ou de escrever.

senhora_costurando

senhora_costurando

                        Finalizamos essa visita gratificados por ter conhecido mais um pouco da arte e da cultura de nosso imenso país.