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Monthly Archives: setembro 2014

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Corumbá de Goiás

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(por: José Rodolpho Assenço)

                        Surgiu no sertão goiano, por volta de 1731, ainda no rastro da fome do garimpo pelo então recém-descoberto ouro da região, Corumbá de Goiás, ou, Arraial de Nossa Senhora da Penha de Corumbá. Bandeirante e mineradores paulistas e portugueses obtiveram de Bartolomeu Bueno da Silva (Anhanguera), chefe de todas as minas de Goiás, a permissão para explorar ouro nessa região.

largo_da_matriz

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                        Inicialmente, com construções que se assemelhavam a barracos, o Arraial iniciou-se na margem esquerda do rio Corumbá. Porém, ante a diversas incursões dos silvícolas — o que resultou em grandes baixas — decidiram mudar para um outeiro na margem direita desse rio, a fim de obterem necessária proteção dos moradores e ali, definitivamente, se instalar o arraial no mesmo local onde hoje se encontra o centro histórico daquela simpática cidade goiana.

rua_em_corumbá

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                        Em 1733, foi erigida a primeira capela, exatamente onde hoje se encontra a Igreja de mesmo nome: Matriz de Nossa Senhora da Penha de França de Corumbá.

igreja_matriz_de_nossa_senhora_da_penha_de_frança

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                        Aproximadamente em 1750, foi, por fim, construída a atual Matriz que, de um outeiro, vigiava-se parte da cidade, tendo também a seu lado uma simpática praça onde se teria construído as primeiras casas em alvenaria, ou em adobe, que sobrevivem ao tempo e tornaram, nos dias de hoje, o local de grande beleza.

casas_em_corumbá_de_goiás

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                        Auguste de Saint-Hilaire, em sua viagem ao interior de Goiás no ano de 1819, relatou as condições de abandono em que se encontrava esses arraiais, resultante do fim do período aurífero da região. Contou o viajante que, ao chegar em Corumbá, foi lhe cedida uma casa desabitada, como tantas outras que havia no local.

corumbá_de_goiás

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                        Naquele ano, Corumbá tinha o formato de um triângulo, com ruas largas, casas pequenas e extremamente baixas. Ressalta o referido autor que os habitantes, naquela época, estavam em total indigência, sobrando apenas alguns artífices que trabalhavam para os lavradores locais, tempo aquele em que as mulheres teciam algodão.

casa

casa

                        Em 1819, Corumbá havia se tornado apenas uma capela que dependia da paróquia de Meia Ponte (Pirenópolis).

casarão_no_largo

casarão_no_largo

                        Em minha viagem, quando retornava de Pirenópolis com meus filhos e decidi entrar em Corumbá para uma rápida visita — fazia uns vinte anos que não passava dentro da cidade — percebi tratar-se, hoje, de uma pequena cidade, bem calçada e arborizada. Ao descer pela avenida de acesso, logo cheguei à praça triangular, perpendicular à Matriz, local onde a cidade começara.

vista_da_cidade_de_corumbá

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                        Ao contrário de Pirenópolis, que possui um apelo turístico muito forte e que recebe milhares de pessoas todos os fins de semana, em Corumbá, confesso que foi difícil encontrar alguns dos pouquíssimos moradores caminhando pelas ruas. Destaque-se, porém, que a conservação das casas e dos monumentos dessa cidade não deixam nada a desejar: casas de adobe, limpas e bem conservadas.

casarão_e_praça_em_corumbá

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                        A Igreja Matriz de Nossa Senhora da Penha de França retrata também esse sentimento de conservação. Aliás, tomei conhecimento que ela havia passado, recentemente, por um trabalho de conservação.

matriz_em_corumbá

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                        Com certeza, os habitantes da cidade estão de parabéns tanto pela conservação de seus monumentos como pela limpeza em todo o centro histórico de Corumbá.

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MEIA PONTE, o Arraial que deu certo

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(por: José Rodolpho Assenço)

                       Registros e segredos de Meia Ponte, hoje Pirenópolis, nos levam a compreender os motivos de seu sucesso e da conservação de seu patrimônio material, hoje de relevante importância para a história do período colonial e a do Brasil Império em Goiás.

matriz_do_rosário

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                        Voltando às primeiras bandeiras de Bartolomeu Bueno e à criação de Vila Boa (Goiás) e de arraiais circunvizinhos(1723), no ano de 1727, ou seja, há apenas quatro anos após a descoberta de ouro pelo referido Bandeirante, Amaro Leite, amigo e colega de bandeira do Anhanguera, relatou a existência de ouro às margens do Rio das Almas, bem como nos córregos adjacentes. Com essa informação, o minerador português Manoel Rodrigues Tomaz seguiu em busca dessas localidades, alcançando tal região em 1729, onde, em um local de um vale muito fértil e aprazível, às margens do referido rio, fundou o Arraial de Nossa Senhora do Rosário da Meia Ponte.

rio_das_almas

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                        O nome Meia Ponte vem da existência de algumas grandes pedras no local do rio que pareciam querer atravessá-lo, assemelhando-se a uma ponte construída pela metade.

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                        Nesse mesmo ano, iniciou-se a construção de uma grande Igreja, a atual Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário, em um outeiro de forma a acompanhar toda a cidade a seus pés.

igreja_do_rosario

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Outras Igrejas também foram construídas, acompanhando o crescimento do arraial, como a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, Igreja essa que veio a ruir, tendo sido construída, em seu local, uma bela praça, hoje praça do Coreto. A Igreja de Nossa Senhora do Carmo, bem próxima ao Rio e à Ponte,

igreja_de_nossa_senhora_do_carmo

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e à Igreja do Bonfim, na outra extremidade do arraial.

igreja_bomfim

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                        O ouro de aluvião do rio e de seus riachos afluentes logo começaram a exaurir. Por volta de 1740, já não atraia mais tantos garimpeiros e mineradores, porém o Arraial, por estar em local muito fértil e com água abundante, ao contrário dos demais arraiais de Goiás no período colonial, teve início uma produção agrícola que, em poucos anos, veio a abastecer os demais auríferos da região. Na decadência do garimpo, vale citar que diversos arraiais foram extintos e abandonados, assim que o precioso metal desapareceu.

casas_em_pirenopolis

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                        Nesse contexto de produtor agrícola e por estar em entroncamento com a estrada real, que seguia para Vila Boa, e a estrada Geral dos Sertões, que segue no sentido da Bahia, Meia Ponte conseguiu, diferentemente dos demais arraiais, manter uma sociedade mais unida pela diversidade de produtos e gêneros, o que, por muitos anos, veio a produzir efeitos conservadores, tanto do lado social, como no da conservação de casas e monumentos. É verdade que de um total de quarenta comunidades que nasceram ao redor do ouro, somente a capital Vila Boa, Natividade e Meia Ponte sobreviveram ou permaneceram de alguma forma intacta à decadência da produção do metal.

igreja_do_carmo

igreja_do_carmo

                        A sobrevivência dessa comunidade e seu isolamento provocaram diversas manifestações culturais e artísticas que resistem até os dias de hoje.

sobrado

sobrado

                        Novos ciclos de crescimento e riqueza vieram logicamente com a construção de Brasília. Lembro-me dos relatos do botânico responsável pela implantação das piscinas do parque nacional de Brasília, época em que foram utilizadas, vindas daquela região, pedras argilosas para a construção de piscinas e calçamentos, culminando com a comercialização desse produto, principalmente para residências nas décadas de 70 e 80. E, assim, aquela cidade viveu outro importante momento de riqueza. 

igreja_do_bomfim

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                        Em meados dos anos 80, ambientalistas e comunidades alternativas buscaram Pirenópolis — terra de inigualável flora e belíssimas cachoeiras — para restabelecer suas energias. Muitos mudaram para aquela localidade, e com eles surgiram os primeiros bares, restaurantes, cafés nessa encantadora e tão acolhedora cidade histórica.

casa_do_seculo_XVIII

casa_do_seculo_XVIII

                        Hoje Pirenópolis é a principal atração turística na região devido às suas atrações naturais e às diversidades de pousadas de altíssimo luxo, bares e restaurantes para todos os gostos, proporcionando lazer em pleno sertão goiano. 

                        Pode-se inclusive observar atualmente, nos finais de semana, a procura daquela cidade por turistas estrangeiros.