Monthly Archives: março 2014

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MESQUITA, tão perto e tão distante

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(por: Cleber Medeiros e José Rodolpho Assenço)

                              Há muitos anos, escutávamos falar da Comunidade Quilombola de Mesquita, em Luziânia – Goiás, de suas lendas, de seus doces, e de sua proximidade de Brasília.

igreja_antiga_do_mesquita

                         Em um destes domingos anuviados, como acontece normalmente nos primeiros meses do ano, decidimos sair (eu, o fotógrafo Cleber Medeiros e sua namorada, Jaque Araújo) para almoçar e seguir em direção a essa famosa comunidade.

                        Seguindo em direção da cidade goiana, achei por bem prolongar um pouco mais o caminho para almoçarmos no Cantinho Mineiro, um simpático e singelo restaurante na beira da rodovia BR-40, mais exatamente no Jardim Ingá, região suburbana de Luziânia. No local podemos apreciar um delicioso lombo suíno assado em tiras acompanhado de feijão tropeiro, tutu com torresmos e saladas.

                        Finalizado o almoço, seguimos para a Comunidade Mesquita, na qual assim que chegamos nos deparamos com uma casa grande colonial e seus muros de adobe com um jardim a frente.  No momento que chegamos ao local, tivemos a sorte de encontrar a proprietária, que muito gentilmente nos possibilitou entrar e tirar algumas fotos do casarão e do jardim.

vista_do_casarão_da_estrada casarão_do_mesquita

                        Questionamos para a referida senhora sobre onde teria a fabricação das famosas marmeladas e novamente por sorte, ela fabricava e nos vendeu algumas amostras do produto.

                        A história de Mesquita está ligada a fazenda do capitão português Paulo Mesquita, que à mais de duzentos anos, com o fim da mineração em Santa Luzia, (Luziânia) decidiu abandonar a região deixando a fazenda para suas três escravas alforriadas que ali ficaram vivendo. Outros escravos, forros ou não, se juntaram a esse grupo à época, viveram de forma isolada, mantendo seus costumes e tradições e produzindo a marmelada artesanal que é até hoje a principal fonte de recursos desse povoamento.

dobradiça

                        Essa tranqüilidade e isolamento entraram em declínio, quando em 1974, com a criação da Cidade Ocidental, Valparaíso e com o crescimento de Luziânia fizeram com que a disputa por terras do quilombo aumentassem e parte de suas áreas foram ocupadas por outras famílias, além do assédio constante de empreiteiras com interesses em construir loteamentos.

                        Hoje o governo, no intuito de preservar as tradições e cultura do povoado, tem devolvido parcialmente alguns territórios aos seus legítimos herdeiros.

jardim_e_casarão

                        Ao que tudo indica e pelas informações colhidas daquela senhora do casarão colonial, essa teria sido a sede da fazenda do capitão português Paulo Mesquita, por ser a mais antiga de toda a região.

igreja_antiga igreja_nova

                        Na seqüência das fotos atravessamos a rodovia (ainda no povoado) para registrar duas igrejas paralelas, uma mais antiga que remete  a meados do século passado e a outra com arquitetura bem mais recente, em frente a um grande largo de onde ainda prosseguimos pela única rua pavimentada da comunidade.

cemiterio pequeno_cemitério

                       Finalizamos fotografando um pequenino cemitério onde não consegui contar nada a mais que 25 cruzes e lápides.

 

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O Forte de Santo Inácio de Loyola

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  (por: José Rodolpho Assenço)                     

                        O Forte de Santo Inácio de Loyola, também conhecida como Fortaleza da Barra Grande, em Tamandaré, Pernambuco, é hoje a única fortificação do estado fora da área metropolitana de Recife.

                        Passeando de férias, visitando praias e cidades do litoral de Pernambuco, não há como não se deparar com a bela Tamandaré, com suas praias de rara beleza, e com uma imponente fortificação, bem próximo ao centro da cidade. Em minha visita, por exemplo, aproveitei o tempo disponível para realizar a visita ao forte e tirar algumas fotos.

                        Da via central, passando por uma rua estreita de paralelepípedos, alcança-se a fachada principal e a entrada do forte. Segundo historiadores, haveria, nessa entrada, um portão em verga reta (portão típico de fortificação com abertura acima e dobradiças abaixo, no chão), que servia tanto como rampa de acesso como também de ponte sobre o fosso. Isso não existe mais.

portal_do_forte muralha_do_forte_santo_inacio

                        Logo que entrei, notei a existência de uma passagem com seteiras. Servia para que os defensores abrissem fogo contra invasores que pelo portão passasse.

passagem_do_forte

                        A história do forte está, a exemplo das demais fortificações da região, envolvida em um vai e volta de ocupação holandesa e de retomada portuguesa, e aos interesses de ambos na manutenção do controle da enseada de Tamandaré, que, àquela época, era o melhor ancoradouro da Capitania de Pernambuco, sem contar que ficava muito próximo às regiões de produção do açúcar mascavo, principal e mais valorizado produto da colônia.

                         Em junho de 1645, foi erguida pelo Mestre João Fernandes Vieira das forças de Salvador Correia de Sá e Benevides um reduto da campanha para a defesa do ancoradouro. Essa pequena fortificação caiu, logo depois, nas mãos das forças do Almirante Joan Cornellizon Lichthart, ainda em 1645.   Conquistada pelos neerlandeses de Lichthart, na Batalha da Baia de Tamandaré, este à procedeu reparos e ampliação, mas esse ancoradouro foi novamente retomado pelos portugueses em 1646, e abandonado em 1654.

                        Lichthart era, na verdade, um corsário, astuto conhecedor de nosso litoral; sabia falar perfeitamente nossa língua, pois havia vivido em Lisboa. 

                        O mesmo Mestre João Vieira, que construiu o Forte de Santo Inácio, em 1677, com apoio da população local e com pedras trazidas pelo mar de Porto Calvo, procederam uma nova ampliação na fortificação de formato quadrado.

patio_e_alojamentos muro_e_fosso

                        A Capela de Santo Inácio, no entanto, somente foi construída em 1780.

vista_geral_do_forte_de_santo_inácio_de_loyola capela_de_santo_inácio

                        Novas reformas do Forte aconteceram no século XIX, recebendo formato de polígono quadrangular, com baluartes pentagonais no vértice, com dois andares pelo lado inverso a baia.   A Fortaleza possuía Corpo de Guarda, calabouços, casa de palamenta, paiol, casas de tropa, casa de comando, alojamentos, além, logicamente, da simpática Igrejinha de Santo Inácio e uma artilharia de vinte e oito peças de ferro e bronze de diferentes calibres.

canhoes_e_farol alojamentos

                        Outro momento importante do forte foi quando da viagem do Imperador Dom Pedro II e da Imperatriz às províncias do Norte, oportunidade em que pernoitaram nas dependências da fortificação no dia 13 de dezembro de 1859. Nesse momento, o Almirante Joaquim Marques Lisboa, no comando do Vapor Amazonas, pediu à comitiva permissão para fazer uma rápida estada em Tamandaré, no intuito de recolher os ossos de seu irmão revolucionário da Confederação do Equador para transportá-lo para o Rio de Janeiro. Manoel Marque Lisboa, irmão do Almirante, embora inimigo do Império, teve o pedido da permissão concedida pelo Imperador, que, mais tarde, pelos inúmeros serviços prestados a nação, concedeu a este Almirante o título de Barão de Tamandaré.

                        No século XX, foi construído, ainda em seus primeiros anos, um grande Farol de sinalização, que funciona até hoje e que se encontra sobre os cuidados da Marinha.

                        Voltando a minha visita, prossegui com fotos dos calabouços, local escuro com diversas grades e celas.

calabouço_e_celas calabouço

                        Segui pelo pátio principal até Capela, na qual, adentrando, observei um singelo altar ao centro. Da parte superior ainda se pode avistar os alojamentos, a área do paiol e demais dependências.

fosso

                        Finalizei minhas fotos com algumas imagens das áreas remanescentes dos fossos bem próximos à muralha na qual caminhei em toda sua extensão.

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