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O Rio de Ondas

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(por:  José Rodolpho Assenço)

O Rio de Ondas está para os moradores de Barreiras, na Bahia, assim como a praia está para os diversos litorâneos. É um local de  congraçamento de famílias e visitantes no fim de semana, bem como ponto turístico e de lazer para aqueles que visitam — ou passam — pela cidade. Além de importante ponto turístico é, ao mesmo tempo, clube de lazer e de eventos. Está intimamente ligado à história da cidade e à do interior baiano.

rio_de_ondas

                        A ocupação do sertão baiano se deu a partir das entradas e bandeiras, subindo o Rio São Francisco, até a foz do Rio Grande local do inicio da colonização onde hoje é a cidade de Barra.  Ainda no século XVII, por ordem do Rei de Portugal, essa região começou a ser explorada e habitada. Algumas localidades se formaram ao longo do Rio Grande, notadamente em sua extensão navegável, sendo que a mais longínqua delas “Porto de Barreiras” ganhou conotação de importância, levando em conta a sua localização ocidental, como porto de desembarque e embarque de mantimentos que seguiam em tropa de animais para a então recém-ocupada região do Brasil central nos garimpos de ouro.

                        O referido porto foi o último navegável do Rio Grande, pois, logo acima, havia grandes barreiras de pedras e a serra, tudo isso impedindo o prosseguimento das embarcações. Por essa razão, ganhou o nome de “Porto de Barreiras”, em referência às obstruções do percurso.

                        Como o arraial, na condição de porto fluvial, prosperou rapidamente, houve mudança do nome para “São João de Barreiras”, em homenagem ao seu padroeiro.

                        Teve ainda o crescimento incrementado no século XIX, com a atividade econômica da extração da borracha de mangabeira, produto abundante naquela área.

                        No século XX, a região ganhou ainda mais impulso com a construção da segunda hidroelétrica da Bahia, o que lhe trouxe crescimento industrial. E por fim a construção da rodovia BR 242, ligando Brasília a Salvador e ao nordeste, transformando, assim, o local em importante entroncamento comercial.

                        Seguindo-se a partir das barreiras de pedras, temos os afluentes do Rio Grande, com destaque para o simpático Rio de Ondas, que desce da serra e percorre mais de vinte quilômetros em suas corredeiras.

corredeiras

                        Ressalte-se que, além do rio, existe ainda no município de Barreiras diversas cachoeiras, o que compõe um conjunto de atividades de ecoturismo na região.

                        O Rio de Ondas ganha das demais atrações ainda pela comodidade, uma vez que acompanha a rodovia federal por alguns quilômetros e é de facílimo acesso. Diversos bares e restaurantes estão instalados em suas margens, uma possibilidade de conforto e de comodidade a quem visita o local, destacando-se o restaurante “A Casa do Rio”, o qual oferece, além dos atrativos do rio, uma boa refeição.

restaurante_casa_do_riono_rio_de_ondas

                        Mas para quem quer conhecer melhor o rio, recomendamos contratar um passeio de balsa rio abaixo, um “rafting soft”, partindo de carro até uns quinze quilômetros serra acima, de onde é feito o embarque para o passeio.

rafting_no_rio_de_ondas corredeiras_no_rio_de_ondas

                        Descendo o rio a partir desse ponto, pode-se observar diversas casas de veraneio, algumas residências, bem como pequenas praias, tudo ponto obrigatório de parada para um mergulho em águas cristalinas.

casa_as_margens_do_rio_de_ondas remanso

                        Rio abaixo, chegamos ao Country Club. Passamos por algumas pousadas até o ponto final do passeio próximo ao restaurante, A Casa do Rio.

praia_no_rio_de_ondas bar_no_rio_de_ondas

                         A população local desfruta do rio da forma como pode. Nos fins de semana, por exemplo, é comum observar algumas pessoas descendo o rio, em suas corredeiras, por meio de “bóia-cross”, que nada mais é do que descer o rio montado em câmaras infladas de Pneu de caminhão.

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A Estrada para Mateiros

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(por: José Rodolpho Assenço)                      

                         Em excursão pelo Tocantins, saímos de Palmas – a bela e jovem capital do estado – eu, Cleber e Danilo, por volta das 15 horas, com destino a Ponte Alta do Tocantins, com a intenção de, no dia seguinte, seguir-mos para o deserto do Jalapão.  Desavisadamente seguimos à Porto Nacional, trajeto que ampliou nossa viagem para aproximadamente duzentos quilômetros, sendo que existe uma nova estrada que economizaria 50 quilômetros no trajeto.

                        Passamos por Monte do Carmo, cidade histórica da então Comarca do Norte de Goiás, com mais de 270 anos, lugar onde o tempo parece não ter caminhado.  Fizemos em Carmo, rapidamente, uma visita até a  praça principal e a Igreja de Nossa Senhora do Carmo, e seguimos por mais 90 quilômetros, chegando a Ponte Alta ainda antes do anoitecer.

ponte_alta_do_tocantins

                        Como disse anteriormente, o intuito dessa excursão era seguir para o Jalapão e realizar um safári fotográfico. Assim sendo, logo que chegamos em Ponte Alta, tratamos de nos alojar na confortável Pousada Águas do Jalapão, onde fomos muito bem recebidos pelo proprietário, que já era amigo do Cleber, de uma outra ocasião.

                        Em Ponte Alta do Tocantins, ainda naquela noite, jantamos e conseguimos contratar um condutor para o trajeto do dia seguinte com uma caminhonete com tração nas quatro rodas.  A estrada TO 255 que atravessa Tocantins de leste a oeste, prossegue até Mateiros (aproximadamente 150 quilômetros),  próximo ao Jalapão e a fronteira desse estado com a Bahia.

inicio_da_estrada

                        Busquei antes da aventura toda literatura que me foi possível encontrar sobre o trajeto, e tudo me indicava a impossibilidade ou a irresponsabilidade de prosseguir a partir de Ponte Alta em carro de passeio.

                        Sendo assim contrato firmado com o condutor, tivemos ainda os cuidados de comprar alguns sanduíches de queijo e presunto e diversas garrafas de água mineral, levando em consideração que 140 quilometros em terra tão ruim poderia demorar muito.

                        Pela manhã preparamos os equipamentos fotográficos e partimos de Ponte Alta com destino ao Jalapão.  No veículo viajamos eu, Cleber, Danilo (filho deste e nosso mascote na excursão) e o nosso motorista e guia Adail, que na saída já nos fez uma previsão de três horas e meia até o Jalapão.

corrego_na_to255 to_255

                        Adail que é natural de Ponte Alta, foi criado nessa região e conhece bem todas as estradas.

                        Logo na saída comecei a lhe questionar sobre o percurso e a estrada.  Ele disse que ultimamente a estrada vem piorando bastante e teme  que até o período das águas venha a ficar intransitável.

                        Contou também que tem feito esse percurso por quatro anos em caminhonete traçada e ainda que no mês de julho faz viagens quase diariamente, normalmente com duração de dois a três dias, dormindo em Mateiros.

                        Consultado sobre a possibilidade de se passar na TO 255 com veiculo leve de passeio, foi categórico em dizer que era praticamente impossível e os poucos que tentavam tal feito sempre voltavam com os veículos danificados.  Prosseguíamos a viagem em uma camionete L200 com tração e com reduzida, alem de pneus lameiros.

                        Confesso que estava incrédulo no tocante as dificuldades do percurso pois me gabava até aquele momento de ser bom motorista em trilhas e estradas de terra.

                        Os primeiros 30 quilômetros percorremos bem e rapidamente por estradas típicas de interior, com diversas fazendas ao redor, provavelmente de moradores de Ponte Alta.  Num dado momento a estrada piorou bastante e começaram a surgir alguns atoleiros de areia fofa e buracos incessantes – a caminhonete sacudia bastante -, quando Cleber observou a impossibilidade de se chegar de carro àquele trecho da estrada.

atoleiros_na_to255vista_da_serra_da_muriçoca

                        Ainda assim, discordei argumentando que seria possível em veiculo leve.

                        Já estávamos à 60 quilômetros de Ponte Alta, de onde  avistávamos a Serra da Muriçoca, a partir desse ponto a estrada quase acabou, chegávamos ao pior trecho e por fim dei o braço a torcer de que não passaria por ali em veiculo de passeio.

perigos_na_serra_da_muriçoca serra_da_muriçoca

                        Prosseguimos até aproximadamente 140 quilômetros de Ponte Alta, quando adentramos no parque do Jalapão.   Permanecemos no deserto até o sol sumir no horizonte e voltamos até a caminhonete com muita pressa, pois neste momento enfrentávamos uma infestação comum na região, as temidas Mutucas.

serra_do_espirito_santo chegando_no_jalapao

                        A Mutuca não é um mosquito e sim uma mosca da mesma família da africana Tzé tzé, que lá contagia com a doença do sono.  Doença essa que atinge o sistema nervoso central e não tendo tratamento adequado a tempo, o enfermo começa a dormir por muitas horas levando a óbito.

                        A Mutuca da região central do Brasil, por sua vez, dá uma picada dolorosa, que normalmente provoca inflamação e até infecção, causando ruborização do local atingido e feridas.

                        Saímos por volta das 19 horas do Jalapão e novamente na estrada percebemos que havíamos tomado praticamente todas as garrafas de água disponível, restando apenas uma que reservamos para o Danilo, de apenas oito anos.

bar_no_jalapao

                        Pouco antes das 20 horas, perto de descer a Serra da Muriçoca, Adail parou a caminhonete com os faróis ligados as margens do Córrego Assa Gordo, onde desceu e encheu algumas garrafas com água da qual nos utilizamos para matar imediatamente nossa sede.  Comentou Adail que a água desse córrego é límpida e cristalina não tendo nenhuma casa ou fazenda na região que venha a provocar poluição.  Contou ainda que o nome do Córrego Assa Gordo advém das caravanas de boiadeiros que ali passavam e pousavam para descansar, buscar água e assavam carne de porco durante a estada.

                        Chegamos a Ponte Alta próximo das 22 horas. Estávamos completamente  exaustos, tanto pelos solavancos da estrada, como também pela caminhada nas areias do deserto.

                        Enfim o conforto da pousada nos permitiria descansar para seguir viagem no dia seguinte…

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